O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (24), um vídeo gerado por inteligência artificial na rede social X, no qual aparece pilotando um avião militar para ‘resgatar’ o atacante Neymar e levá-lo a um jogo da Seleção Brasileira nos Estados Unidos. A postagem, feita por volta das 13h, ocorre horas antes da partida contra a Escócia, em Miami, às 19h, e reacende o debate sobre o uso de IA na propaganda eleitoral, já que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe deep fakes que possam prejudicar ou favorecer candidaturas, conforme resolução de fevereiro de 2024.
No vídeo, uma versão artificial de Flávio Bolsonaro, trajando uniforme similar ao da Força Aérea Brasileira (FAB), reage a uma fala do presidente Lula que, em 19 de junho, brincou ao dizer que Neymar era ‘o primeiro convocado home office do mundo’. O senador escreveu na legenda: ‘Missão de hoje: o resgate do menino Ney. Porque os heróis brasileiros não devem ser deixados pra trás’. A peça termina com o atacante entrando em campo sob comemoração da torcida, após ser transportado pelo avatar do pré-candidato.
Panorama político e jurídico
A publicação ocorre em um contexto de tensão eleitoral e disputa por narrativas nas redes sociais. Dias antes, o PT acionou o TSE contra Flávio Bolsonaro por um vídeo com IA, alegando propaganda antecipada. Em março de 2024, a corte decidiu que o uso de inteligência artificial na propaganda é permitido, desde que haja informação explícita sobre a geração por IA e a ferramenta utilizada. A ausência dessa sinalização no conteúdo de Flávio pode gerar novas ações judiciais, ampliando a ‘enxurrada de ações no TSE’ mencionada pelo portal g1.
O episódio também reflete a polarização em torno da figura de Neymar, que não atuou nas duas partidas anteriores da Seleção por lesão na panturrilha. Flávio Bolsonaro já havia criticado Lula no fim de semana anterior, chamando-o de ‘presidente turista’ e defendendo o jogador. A estratégia de usar IA para criar conteúdo viral busca engajar a base bolsonarista, mas esbarra nas regras eleitorais e na necessidade de transparência sobre o uso de tecnologia.
Outros casos recentes, como a determinação do TSE para remover posts que ligavam um senador ao crime organizado sem provas e a remoção de deep fake que associava Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, mostram que a corte tem atuado para coibir desinformação e manipulação digital. A decisão sobre o vídeo de Flávio pode estabelecer novos precedentes para a campanha de 2026.
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