Governo brasileiro busca reverter veto europeu à carne, mas não descarta retaliação comercial

O governo do presidente Lula (PT) aposta na negociação diplomática para reverter o veto da União Europeia à importação de carne bovina brasileira, mas não descarta adotar medidas de reciprocidade comercial caso o Brasil não seja tratado como parceiro, afirmou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, em declaração nesta sexta-feira (6 de junho de 2026). A decisão do bloco europeu, anunciada em maio, proíbe a entrada da carne brasileira a partir de setembro, sob alegação de preocupações sanitárias, e já provoca reações no setor produtivo nacional.

A declaração de Luis Rua ocorre em meio a um cenário de tensão comercial global, que inclui a recente disputa tarifária entre Brasil e Estados Unidos. O secretário destacou que a prioridade do governo é o diálogo com a Comissão Europeia para esclarecer os critérios técnicos que embasaram o veto e buscar uma solução que evite prejuízos aos exportadores brasileiros. A carne bovina é um dos principais itens da pauta de exportação do agronegócio, com vendas anuais que superam US$ 10 bilhões, e a União Europeia representa cerca de 15% desse mercado.

Panorama político e comercial

A crise com a União Europeia se soma a outros desafios diplomáticos do governo Lula. Em abril, o Brasil enfrentou ameaças de sobretaxas dos Estados Unidos, que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como sem base técnica. Na ocasião, Vieira afirmou esperar levar o tema diretamente ao presidente americano Donald Trump, em uma tentativa de evitar uma escalada tarifária. Agora, com o veto europeu, o governo adota postura semelhante: negociação firme, mas com a possibilidade de retaliação caso o diálogo não avance.

O secretário Luis Rua enfatizou que o Brasil não aceitará imposições unilaterais que prejudiquem sua competitividade. “Se não formos tratados como parceiros, reagiremos com medidas de reciprocidade”, afirmou, sem detalhar quais instrumentos poderiam ser acionados. Especialistas apontam que o Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou adotar barreiras a produtos europeus, como queijos e vinhos, como forma de pressão.

O veto europeu também reacende o debate sobre a sustentabilidade da pecuária brasileira, frequentemente alvo de críticas internacionais devido ao desmatamento na Amazônia. O governo, no entanto, defende que o país cumpre rigorosamente as normas sanitárias e ambientais, e que a decisão da União Europeia tem motivações protecionistas. Enquanto isso, o setor agropecuário monitora os desdobramentos com apreensão, temendo perdas bilionárias e o enfraquecimento de um dos principais mercados para a carne brasileira.

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