Governo brasileiro reage com indignação a novo tarifaço dos EUA e denuncia “sabotagem” da família Bolsonaro

O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (2), “profunda indignação” com a conclusão preliminar de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apura supostas práticas comerciais desleais do Brasil e pode resultar em tarifas sobre produtos nacionais, além de mencionar explicitamente o sistema de pagamentos instantâneos PIX como alvo de possíveis sanções. De acordo com a nota oficial a qual o blog teve acesso, a investigação foi motivada por “provocação da família Bolsonaro” e é vista pelo Itamaraty como uma tentativa de ingerência em temas internos, com o governo criticando a atuação de “falsos patriotas” que usariam cargos públicos para conspirar contra os interesses do país.

O processo, conhecido como “Seção 301”, foi aberto pelo USTR sob a alegação de que o Brasil adota barreiras comerciais e práticas discriminatórias que prejudicam empresas americanas. No entanto, o governo brasileiro argumenta que a investigação foi desencadeada por articulações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos, que teriam atuado para prejudicar a economia nacional em benefício de interesses estrangeiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva associou diretamente os “filhos de Bolsonaro” ao novo tarifaço proposto pelos EUA, em um discurso que reforça a tensão política entre os dois países.

Ameaça ao PIX e superávit dos EUA

Um dos pontos centrais da tensão é a menção explícita ao PIX nas recomendações preliminares dos EUA. O governo brasileiro defende que o sistema é uma infraestrutura pública, gratuita e neutra, operada pelo Banco Central, e que empresas norte-americanas já participam ativamente desse ecossistema. Para rebater as acusações de desequilíbrio comercial, o Brasil apresentou números que favorecem os americanos: nos últimos 15 anos (2011-2025), os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões com o Brasil; apenas no ano passado, o saldo positivo para os EUA foi de US$ 40,52 bilhões (bens e serviços); atualmente, 76% das importações dos EUA entram no Brasil sem pagar imposto, com uma alíquota média efetiva de apenas 3,1%.

Argumentos ambientais e de propriedade intelectual

O Brasil também utilizou dados técnicos para refutar as justificativas da investigação. No campo ambiental, o governo destacou que o desmatamento na Amazônia Legal recuou cerca de 50% em relação a 2022, e a área queimada no país caiu 40% em 2025. Em propriedade intelectual, os EUA são os maiores beneficiários do sistema de patentes brasileiro, respondendo por 30% dos pedidos, e o pagamento de royalties aos americanos dobrou entre 2020 e 2024, atingindo US$ 1,38 bilhão. No setor de etanol e açúcar, o país aponta que, enquanto o Brasil é aberto ao etanol americano, o açúcar brasileiro enfrenta tarifas de até 80% nos EUA, o que evidencia uma assimetria nas relações comerciais.

Queda nas exportações e ‘Lei de Reciprocidade’

O clima de incerteza já impacta os negócios. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor nível da série histórica. Apesar do embate, existe uma tentativa de solução diplomática. Os presidentes Lula e Donald Trump se reuniram em 7 de maio e estabeleceram um prazo até 15 de julho para que negociações tarifárias encontrem um desfecho. Enquanto isso, o governo brasileiro estuda acionar a “Lei de Reciprocidade”, que permite impor barreiras comerciais a países que adotem medidas unilaterais contra o Brasil. O cenário reflete um momento de alta tensão nas relações bilaterais, com impactos potenciais sobre a economia, o comércio e a estabilidade política regional.

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