O governo brasileiro expressou preocupação com a possibilidade de o sistema de pagamentos instantâneos Pix ser associado a facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), e sofrer sanções dos Estados Unidos. A declaração foi feita pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta sexta-feira (29), durante coletiva de imprensa em Brasília. O temor surge após os EUA classificarem oficialmente essas organizações como terroristas, o que pode levar a restrições financeiras internacionais contra o Brasil.
Segundo Durigan, o governo brasileiro está monitorando de perto a situação e já iniciou contatos com autoridades americanas para evitar que o Pix, amplamente utilizado por cidadãos e empresas, seja alvo de medidas punitivas. “Há um temor real de que o Pix seja vinculado a essas facções e sofra sanções dos EUA. Estamos trabalhando para esclarecer que o sistema é seguro e não serve a propósitos criminosos”, afirmou o ministro.
Contexto político e econômico
A classificação do CV e do PCC como organizações terroristas pelos Estados Unidos ocorreu após visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, em maio de 2026. A medida gerou repercussão no cenário político brasileiro, com críticas de setores da oposição e apoio de aliados do governo. O Pix, lançado em 2020 pelo Banco Central, tornou-se o principal meio de pagamento digital no país, com mais de 150 milhões de usuários cadastrados.
Especialistas apontam que sanções dos EUA ao Pix poderiam impactar negativamente a economia brasileira, afetando transações comerciais e o fluxo de capitais. O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda e do Banco Central, busca garantir que o sistema não seja utilizado para atividades ilícitas, reforçando mecanismos de monitoramento e controle.
A declaração de Durigan ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, agravadas pela classificação das facções como terroristas. O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem buscado equilibrar as relações com Washington enquanto defende a soberania nacional. A situação coloca em evidência os desafios de segurança financeira e cooperação internacional no combate ao crime organizado.
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