O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) prometeu neste sábado (22) mudar, já no primeiro dia de uma eventual gestão, o modelo de uso de plataformas digitais nas escolas estaduais e realizar novos concursos para professores. A declaração foi feita durante o lançamento do plano de campanha para a educação, em evento que contou com a presença de outras lideranças políticas.
Haddad criticou duramente a política educacional adotada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que os docentes estão sendo pressionados a usar conteúdos padronizados e se sentem “desprestigiados” e “vigiados”. “Aquilo ali não vai resolver nada a educação. […] Você está fazendo uma plataformização contra o professor”, disse, referindo-se às ferramentas digitais implementadas pela Secretaria da Educação.
O candidato assegurou que a mudança será imediata: “Posso te assegurar que isso vai mudar no primeiro dia. Vai vir um alívio enorme em janeiro para o magistério paulista”. Além disso, prometeu realizar novos concursos públicos para professores e criar uma carreira que ofereça “perspectiva de futuro” aos docentes. Segundo Haddad, as seleções devem avaliar não apenas o conhecimento, mas também a didática dos candidatos, que passariam por estágio probatório e avaliação contínua.
Diálogo com a categoria
Ao abordar a relação entre o governo estadual e os profissionais da educação, Haddad afirmou que uma das primeiras medidas de sua gestão seria conversar com quem está nas salas de aula. “Esse terror vai acabar. Nós vamos dar as mãos. Eu quero o compromisso de todo mundo de que nós vamos recuperar esse estado. Nós vamos fazer isso juntos”, declarou. “Não é o Estado contra vocês. É o Estado com vocês, por vocês. É assim que nós vamos reconstruir a rede pública de São Paulo”, completou.
Críticas ao modelo cívico-militar
Haddad também se posicionou contra as escolas cívico-militares, afirmando: “Não acredito nesse modelo”. A fala reforça sua oposição a uma das bandeiras do atual governo estadual.
Apoio de Marina Silva e Simone Tebet
A candidata ao Senado Marina Silva (Rede), que participou do lançamento ao lado de Haddad, também criticou o modelo tecnológico adotado na rede estadual e defendeu maior autonomia pedagógica para os professores. Segundo Marina, o professor não pode ser tratado “quase como um objeto” e precisa ter liberdade para usar sua formação e experiência na relação com os alunos. “A tecnologia deve estar a serviço do conhecimento, a serviço dos professores, a serviço dos alunos”, afirmou. “Não [pode ser] como se nós é que estivéssemos a serviço da tecnologia.”
Também candidata ao Senado, Simone Tebet (MDB) usou sua participação no evento para destacar a trajetória de Haddad como ministro da Educação. Ela citou a criação do Ideb, o ProUni, mudanças no Fies, o piso nacional dos professores e o Fundeb. “É muito fácil em campanha eleitoral, todos os candidatos falam que educação é prioridade. […] Nós não prometemos. Nós já fizemos”, afirmou Tebet.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), por sua vez, também esteve presente, mas o conteúdo de sua fala não foi detalhado na matéria original.
O evento marca a estratégia da campanha de Haddad de priorizar a educação como eixo central, contrastando com a gestão atual e buscando apoio de diferentes espectros políticos. A promessa de concursos e o fim da “plataformização” são pontos-chave para conquistar o eleitorado ligado ao magistério, categoria historicamente mobilizada em São Paulo.
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