A Polícia Militar foi acionada na sexta-feira (12) pelo Conselho Tutelar de Taquarana, em Alagoas, para investigar uma denúncia grave de importunação sexual envolvendo uma menina de sete anos e um vizinho. A mãe da criança procurou o Conselho após a filha relatar que, ao passar pela rua, o homem teria assobiado, pedido para que ela olhasse e, em seguida, se masturbado na frente dela. O caso, que chocou a comunidade local, foi registrado e está sob apuração das autoridades, que buscam identificar e responsabilizar o suspeito.
De acordo com o relato da vítima ao Conselho Tutelar, o episódio ocorreu quando a menina passava por uma via pública do município. O homem, vizinho da família, teria chamado a atenção da criança com assobios e, após conseguir que ela olhasse, praticou o ato obsceno. A mãe, ao saber do ocorrido, imediatamente procurou o Conselho Tutelar, que acionou a Polícia Militar para dar início às investigações. A identidade do suspeito não foi divulgada, e as autoridades não informaram se ele já foi localizado ou detido.
O caso em Taquarana reflete um problema mais amplo de violência sexual contra crianças e adolescentes em Alagoas. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) indicam que, em 2023, o estado registrou mais de 1.200 casos de violência sexual contra menores, com destaque para a faixa etária de 0 a 9 anos, que concentra cerca de 30% das notificações. Especialistas apontam que a subnotificação ainda é um desafio, já que muitos casos ocorrem em ambientes domésticos ou comunitários, como o relatado em Taquarana, e dependem da denúncia de familiares ou vizinhos.
A importunação sexual, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal, pode resultar em pena de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa. No caso de vítimas menores de 14 anos, a pena pode ser aumentada em até um terço. O Conselho Tutelar de Taquarana, em parceria com a Polícia Militar, reforça a importância de denúncias rápidas e do acolhimento às vítimas, para evitar traumas psicológicos de longo prazo. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA), acompanha o caso e pode oferecer suporte psicossocial à família.
O episódio também reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas de prevenção e educação sexual nas escolas, além de campanhas de conscientização sobre o papel da comunidade na proteção infantil. Organizações como o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDECA) de Alagoas alertam que a violência sexual muitas vezes é silenciada por medo de represálias ou por falta de informação. Em Taquarana, a mobilização da mãe e do Conselho Tutelar foi crucial para que o caso viesse a público, mas ainda há desafios para garantir que o suspeito seja responsabilizado e que a vítima receba o apoio necessário.
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