Em meio a alertas reiterados de autoridades de todo o país sobre o avanço do crime organizado na política brasileira, a maioria dos grandes partidos se prepara para as próximas convenções partidárias sem ter adotado medidas específicas para evitar que integrantes de facções criminosas cheguem às urnas. A constatação, revelada em reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 13 de junho de 2026, expõe uma lacuna preocupante nos mecanismos de controle interno das legendas, que até agora não implementaram filtros capazes de identificar e barrar candidatos ligados a organizações criminosas.
O cenário contrasta com a escalada da violência e a atuação cada vez mais ousada de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que, segundo investigações recentes, têm buscado influenciar eleições municipais e estaduais para garantir vantagens em contratos públicos, proteção judicial e acesso a recursos. A ausência de barreiras partidárias ocorre em um momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério Público Eleitoral (MPE) intensificam o monitoramento de candidaturas suspeitas, mas ainda sem uma regulamentação específica que obrigue os partidos a adotar medidas preventivas.
Panorama político e riscos democráticos
A falta de filtros partidários levanta questões sobre a eficácia do sistema de controle eleitoral brasileiro. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, embora a Justiça Eleitoral possa indeferir candidaturas com base em condenações criminais ou improbidade administrativa, a ausência de uma triagem prévia pelas legendas permite que candidatos com vínculos com facções criminosas avancem no processo eleitoral, muitas vezes até o registro oficial. Isso ocorre em um contexto em que partidos de diferentes espectros ideológicos, como o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Liberal (PL), o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ainda não estabeleceram comitês de ética ou critérios rigorosos para avaliar a ficha de seus postulantes.
O problema não é novo. Em 2024, o TSE já havia registrado um aumento de 30% no número de candidaturas impugnadas por envolvimento com o crime organizado, mas a resposta dos partidos tem sido lenta. A reportagem da Folha de S.Paulo destaca que, em reuniões internas, dirigentes partidários reconhecem a gravidade do problema, mas alegam dificuldades operacionais e jurídicas para implementar filtros, como a falta de acesso a bancos de dados criminais atualizados e o receio de excluir candidatos sem provas conclusivas.
Impacto nas eleições e na confiança pública
A ausência de medidas concretas pode comprometer a legitimidade do processo eleitoral e alimentar a desconfiança da população nas instituições. Pesquisas recentes indicam que 67% dos brasileiros consideram a infiltração do crime organizado na política uma ameaça grave à democracia. A situação é agravada pela fragmentação partidária e pela lógica de alianças eleitorais, que muitas vezes priorizam o pragmatismo em detrimento de critérios éticos. Enquanto isso, facções criminosas continuam a expandir sua influência em regiões como o Norte e o Nordeste, onde a presença do Estado é mais frágil.
A reportagem original, assinada pela Folha de S.Paulo, conclui que, sem uma ação coordenada entre partidos, TSE e Ministério Público, o risco de candidatos ligados a facções criminosas conquistarem mandatos nas próximas eleições permanece alto. A sociedade civil e organizações de transparência eleitoral, como a Transparência Internacional Brasil, já cobram medidas urgentes, incluindo a criação de um cadastro nacional de candidatos com histórico criminal e a obrigatoriedade de os partidos realizarem auditorias independentes em suas listas de candidatos.
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