O ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn, classificou como uma “imensa aberração” a manutenção do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, em vigor por 60 dias por decisão do Gecex-Camex. Em entrevista ao WW, Zylbersztajn alertou que a tributação compromete a previsibilidade necessária para atrair investimentos de longo prazo no setor, em um momento de tensões geopolíticas no Oriente Médio e de debates sobre a política energética brasileira.
A crítica do ex-diretor da ANP ocorre em um contexto de crescente instabilidade global, com a crise no Estreito de Hormuz ameaçando o comércio internacional e a safra brasileira, conforme reportado pelo portal República do Povo. A medida, que visa reforçar a arrecadação federal e estabilizar os preços dos combustíveis, foi autorizada pela Justiça Federal e integra um pacote bilionário do governo federal para enfrentar a crise global. No entanto, especialistas apontam que a tributação pode gerar efeitos colaterais, como a redução da competitividade do petróleo brasileiro no mercado internacional e o afastamento de investidores estrangeiros.
Panorama Político e Econômico
A decisão do Gecex-Camex de manter o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo por 60 dias reflete um embate entre a necessidade de arrecadação e a manutenção de um ambiente de negócios estável. Enquanto o governo federal defende a medida como essencial para conter a alta dos combustíveis e financiar políticas sociais, críticos como Zylbersztajn argumentam que ela representa um retrocesso na política de abertura do setor, implementada nas últimas décadas. O debate ganha ainda mais relevância em meio a tensões no Oriente Médio, que elevam o risco de desabastecimento e volatilidade nos preços globais do petróleo.
O cenário político brasileiro, marcado por discussões sobre a reforma tributária e a regulação do setor energético, também influencia a percepção dos investidores. Enquanto o programa Frente a Frente recebe figuras-chave para debater os rumos do país, a manutenção do imposto sobre exportação de petróleo levanta questionamentos sobre a coerência das políticas públicas e a capacidade do Brasil de atrair investimentos em um setor estratégico. A fala de Zylbersztajn, portanto, ecoa as preocupações de analistas e empresários que veem na tributação um obstáculo à previsibilidade e à segurança jurídica, elementos fundamentais para o desenvolvimento de projetos de exploração e produção de petróleo.
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