Pai chuta filha de três anos em via pública no Paraná e é preso após histórico de agressões

Uma menina de três anos foi chutada pelo próprio pai enquanto caminhava pela calçada em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, no último domingo (5). A agressão foi registrada por câmeras de segurança e ganhou repercussão nas redes sociais, levando a mãe da criança a registrar boletim de ocorrência na terça-feira (7). A Polícia Civil (PC-PR) instaurou inquérito e solicitou medidas protetivas para a menina, o irmão dela e a mãe. O nome do agressor não foi oficialmente divulgado.

Nas imagens, o homem aparece andando com a filha e o enteado, de cinco anos. Em determinado momento, ele para e chuta a menina, que cai no chão. Um transeunte se aproxima e tenta intervir, mas é confrontado pelo pai. A criança se levanta e os três seguem caminhando. De acordo com a polícia, a menina não se feriu fisicamente.

Investigação e prisão

A mãe registrou o boletim de ocorrência na terça-feira (7), após tomar conhecimento das imagens nas redes sociais. Na ocasião, o homem ainda não havia sido localizado. Na quarta-feira (8), ele compareceu à delegacia sem advogado e prestou depoimento. Segundo o delegado Anderson Andrei, o homem chorou e afirmou que chutou a filha porque ela estava chorando, declarando arrependimento. Naquele momento, não houve prisão em flagrante, pois o crime não estava em andamento.

Na quinta-feira (9), a Justiça emitiu mandado de prisão preventiva contra o homem, que foi preso. A Polícia Civil informou que a prisão foi solicitada após a investigação identificar um histórico de agressões contra as crianças que conviviam com ele.

Panorama político e social

O caso reacende o debate sobre a efetividade das medidas de proteção à infância no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o país registrou mais de 35 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes em 2025, sendo a violência física uma das mais recorrentes. A agressão em Francisco Beltrão ocorre em um contexto em que o Congresso Nacional discute o endurecimento de penas para crimes de violência doméstica e familiar, com propostas como o aumento da pena mínima para lesão corporal praticada contra descendente. Organizações de defesa dos direitos da criança, como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), reforçam a necessidade de campanhas educativas e de fortalecimento dos conselhos tutelares para prevenir e coibir agressões como a registrada no Paraná.

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