O influenciador alagoano PTK, preso nesta quarta-feira, 3 de julho, no bairro do Farol, em Maceió, durante operação da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP) contra membros da facção Comando Vermelho (CV) no estado, seria a aposta da organização criminosa para ingressar na política. A informação foi divulgada pela própria SSP durante coletiva de imprensa, que também apresentou áudios nos quais PTK afirma: ‘Agora que eu tô na mídia, todos eles querem’, referindo-se a políticos alagoanos que, segundo ele, passaram a procurá-lo após sua exposição midiática.
A operação, coordenada pela Força Tarefa de Segurança Pública da SSP, cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em endereços ligados a PTK e a outros suspeitos de integrarem o CV. De acordo com as investigações, o influenciador, que acumula milhares de seguidores nas redes sociais, vinha sendo aliciado pela facção para atuar como ‘testa de ferro’ em futuras candidaturas, aproveitando sua popularidade digital para angariar votos e legitimar a atuação do grupo no cenário político local.
Áudio revela articulação política
Em um dos áudios divulgados pela SSP, PTK menciona que, após ganhar notoriedade, passou a ser abordado por políticos alagoanos. ‘Agora que eu tô na mídia, todos eles querem’, diz o influenciador, sem especificar nomes. A fala, segundo os investigadores, indica que a facção via na exposição de PTK uma oportunidade de infiltrar-se no sistema político, utilizando sua imagem para disfarçar atividades criminosas e obter influência institucional.
O Comando Vermelho, originalmente do Rio de Janeiro, expandiu sua atuação para Alagoas nos últimos anos, com forte presença em bairros da capital e do interior. A operação desta quarta-feira é parte de uma ofensiva mais ampla da SSP para desarticular células da facção no estado, que vinham usando influenciadores digitais como intermediários para recrutamento e lavagem de dinheiro.
Panorama político e impacto
O caso de PTK expõe uma preocupante intersecção entre crime organizado e política em Alagoas, estado que já registrou episódios de infiltração de facções em campanhas eleitorais. Especialistas em segurança pública apontam que a estratégia do CV de cooptar influenciadores reflete a profissionalização do crime, que busca novas formas de legitimação e acesso a recursos públicos. A prisão do influenciador, ocorrida em um bairro nobre de Maceió, também levanta questionamentos sobre a vulnerabilidade de figuras públicas a aliciamentos criminosos.
A SSP informou que as investigações continuam e que novos mandados podem ser expedidos. PTK permanece detido, à disposição da Justiça, enquanto a Polícia Civil de Alagoas analisa o material apreendido para identificar outros envolvidos. O caso reacende o debate sobre o papel das redes sociais na aproximação entre o crime e a política, especialmente em regiões onde o poder paralelo já demonstrou capacidade de influenciar processos eleitorais.
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