Dezenas de perfis no Instagram exibem vídeos de sexo explícito e outros conteúdos pornográficos há pelo menos três meses, burlando os sistemas de segurança da rede social e acumulando milhões de visualizações, conforme apuração da Folha de S.Paulo publicada em 26 de junho de 2026. As publicações, que violam as diretrizes da plataforma, permanecem ativas e acessíveis a menores de idade, expondo crianças e adolescentes a material impróprio e levantando graves questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de moderação da Meta, empresa controladora do Instagram.
Os perfis identificados utilizam estratégias para contornar os filtros automáticos da plataforma, como o uso de hashtags codificadas, links encurtados e imagens de pré-visualização que não acionam os sistemas de detecção de nudez ou conteúdo sexual explícito. Uma vez dentro dos perfis, os usuários — inclusive menores — encontram vídeos completos e links diretos para sites de pornografia, muitos dos quais sem qualquer restrição etária. A reportagem da Folha documentou dezenas de contas que operam abertamente, algumas com centenas de milhares de seguidores, e que já acumulam milhões de visualizações em seus vídeos.
Falhas recorrentes na moderação
O caso expõe uma fragilidade crônica nos sistemas de segurança do Instagram, que já haviam sido alvo de críticas em 2025, quando uma falha em ferramenta de inteligência artificial permitiu a invasão de contas de usuários. Na ocasião, a Meta afirmou que as contas foram invadidas por uma vulnerabilidade em um recurso de IA, mas não detalhou as medidas corretivas adotadas. Agora, a empresa volta a ser pressionada por não conseguir coibir a disseminação de pornografia em sua plataforma, mesmo após promessas de reforço na moderação.
Especialistas em segurança digital ouvidos pela reportagem apontam que a falha não é técnica, mas sim de prioridade. “A Meta investe bilhões em publicidade e em algoritmos de engajamento, mas deixa lacunas graves na proteção de crianças e adolescentes”, afirma Ana Paula Rodrigues, pesquisadora do Instituto de Defesa do Consumidor. “Enquanto o lucro com anúncios for o foco principal, conteúdos nocivos continuarão a circular.”
Impacto social e pressão regulatória
A exposição de menores a pornografia no Instagram não é um fato isolado. Em 2024, o Brasil registrou um aumento de 40% nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes mediada por plataformas digitais, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos. Organizações como o SaferNet Brasil e a ChildFund têm alertado que a falta de verificação etária e a moderação ineficaz criam um ambiente propício para abusos.
No cenário político, o caso reacende o debate sobre a regulação das big techs. O Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como PL das Fake News, que tramita no Congresso Nacional, prevê mecanismos de responsabilização das plataformas por conteúdos nocivos, mas enfrenta forte oposição de setores ligados às empresas de tecnologia. A Meta, por sua vez, tem investido em lobby contra a aprovação da proposta, argumentando que a moderação já é feita de forma voluntária.
Enquanto isso, pais e educadores se veem desamparados. “Meu filho de 12 anos viu um desses vídeos no feed dele. Ele não procurou, o algoritmo entregou”, relata Carlos Mendes, professor de Brasília. “A Meta precisa ser responsabilizada, não apenas multada.”
A Folha de S.Paulo solicitou posicionamento da Meta sobre os perfis denunciados, mas a empresa não respondeu até o fechamento desta edição. A reportagem original, publicada em 26 de junho de 2026, pode ser acessada na íntegra no site do jornal.
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