Com a chegada do inverno, cresce a preocupação com o aumento de crises de asma entre a população brasileira, especialmente em regiões onde o clima seco e as baixas temperaturas se combinam para criar um ambiente propício a gatilhos respiratórios. A estação, que historicamente registra picos de internações por complicações pulmonares, exige cuidados redobrados por parte de pacientes e profissionais de saúde, conforme alertam especialistas ouvidos pelo portal TNH1.
O ar frio e seco, comum nos meses de inverno, provoca o ressecamento das vias aéreas, facilitando a irritação dos brônquios e desencadeando crises em pessoas com asma. Além disso, a tendência de permanecer em ambientes fechados e mal ventilados aumenta a exposição a alérgenos como ácaros, mofo e poeira, que são fatores desencadeantes frequentes. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) destaca que, nesse período, é fundamental manter a hidratação adequada e evitar mudanças bruscas de temperatura, que podem sobrecarregar o sistema respiratório.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, anualmente, o Brasil registra cerca de 350 mil internações por asma, com maior concentração nos meses de outono e inverno. A doença, que afeta aproximadamente 20 milhões de brasileiros, é uma das principais causas de absenteísmo escolar e laboral, além de representar um custo significativo para o sistema público de saúde. O impacto econômico e social é agravado pela falta de adesão ao tratamento contínuo, que inclui o uso de medicamentos controladores e a identificação precoce dos sintomas.
Panorama político e de saúde pública
O alerta sobre os riscos do inverno para asmáticos ocorre em um contexto de desafios estruturais no sistema de saúde brasileiro. Apesar de o SUS oferecer medicamentos gratuitos para asma, como corticoides inalatórios e broncodilatadores, a distribuição nem sempre é uniforme, especialmente em regiões mais remotas do Norte e Nordeste. A falta de campanhas educativas contínuas e a baixa cobertura de atenção primária em áreas rurais contribuem para que muitos pacientes não recebam o acompanhamento necessário. Especialistas defendem que políticas públicas de prevenção, como a melhoria da ventilação em escolas e locais de trabalho, poderiam reduzir significativamente os índices de crise durante o inverno.
Além disso, a poluição do ar, agravada pela queima de combustíveis fósseis em áreas urbanas, atua como um gatilho adicional para crises asmáticas. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a exposição a partículas finas (PM2.5) está associada a um aumento de 20% nas hospitalizações por asma em crianças e idosos. No Brasil, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro frequentemente registram níveis elevados de poluentes durante o inverno, devido à inversão térmica, que retém os poluentes próximos ao solo. A combinação de ar frio, poluição e alérgenos domésticos cria um cenário de risco elevado, que exige ações coordenadas entre governos, profissionais de saúde e a sociedade civil.
Para minimizar os efeitos do inverno, a recomendação é que pacientes asmáticos mantenham o uso regular de medicamentos prescritos, evitem exposição a fumaça de cigarro e poluentes, e utilizem umidificadores de ar em ambientes fechados. A vacinação contra gripe e pneumonia também é indicada, já que infecções virais são comuns no inverno e podem desencadear crises. O portal TNH1 reforça que, diante de sintomas como falta de ar, chiado no peito e tosse persistente, é essencial buscar atendimento médico imediato para evitar complicações graves.
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