Irã ameaça expandir ataques a bases dos EUA após ofensiva no Kuwait e Bahrein; tensão cresce no Oriente Médio

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã divulgou um comunicado nesta quarta-feira (8) assumindo a autoria de ataques a bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, e ameaçou expandir as ofensivas para outras instalações americanas na região caso Washington volte a atacar. A declaração ocorre em meio a uma escalada militar que já dura dois dias, com bombardeios recíprocos que colocam o Oriente Médio à beira de um conflito de grandes proporções.

De acordo com a nota oficial iraniana, os Estados Unidos “romperam alianças e violaram todos os seus compromissos, mais uma vez demolindo diversas partes das províncias costeiras do sul do Irã”. O Irã assumiu ainda o ataque a duas bases americanas em Arifjan e Ali al-Salem, no Kuwait, e a Jufayr e Sheikh Isa, no Bahrein. A manifestação de Teerã ocorre logo após o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmar a realização de uma nova rodada de ataques aéreos na própria quarta-feira (8). Segundo os americanos, a ofensiva atingiu cerca de 90 alvos estratégicos na costa iraniana — incluindo sistemas de defesa aérea, radares e depósitos de mísseis e drones — para conter ameaças à navegação comercial no Estreito de Ormuz.

EUA intensificam bombardeios e Trump ameaça retaliação

Essa operação deu continuidade a um primeiro bombardeio realizado na terça-feira (7), quando o Centcom atacou 80 alvos e destruiu mais de 60 pequenas embarcações da própria Guarda Revolucionária. O governo dos EUA justificou a ação afirmando que o Irã violou um acordo de cessar-fogo, firmado em junho, ao atacar três navios mercantes na região. O presidente americano, Donald Trump, declarou em suas redes sociais que o acordo de paz com o Irã “acabou” e ameaçou uma ofensiva ainda maior. “Isto é uma retaliação ao bombardeio de navios pelo Irã ontem. Se acontecer de novo, será muito pior!”, escreveu o republicano, que chegou a chamar os líderes iranianos de “cruéis e violentos”. Trump também alertou que, se necessário, os EUA poderão cortar sistemas de energia e estações de tratamento de água no país.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, repudiou o tom de Trump e afirmou que os iranianos não respondem à “vulgaridade com vulgaridade, mas com ações: com coragem e grande bravura”. A troca de ameaças entre os dois países acirra ainda mais o clima de confronto, que já provocou destruição em cidades litorâneas iranianas como Jask, Bushehr, Sirik e Bandar Abbas. A TV estatal do Irã informou que dois portos foram atingidos e que estilhaços de projéteis danificaram um hospital na cidade de Chabahar, região que também sofreu com cortes de energia elétrica.

Impactos regionais e alerta internacional

O comunicado da Guarda Revolucionária detalhou que os mísseis americanos destruíram duas pontes em províncias orientais que dão acesso à cidade sagrada de Mashhad. Segundo Teerã, a investida teve como alvo infraestrutura civil e religiosa, o que pode agravar ainda mais a crise humanitária na região. A escalada militar entre Irã e EUA ocorre em um contexto de instabilidade no Oriente Médio, com potências regionais como Arábia Saudita e Israel monitorando de perto os desdobramentos. Analistas internacionais apontam que o conflito pode se expandir para outros países, caso as hostilidades não sejam contidas por mediação diplomática. Até o momento, não há sinais de diálogo entre as partes, e a comunidade internacional observa com apreensão o risco de uma guerra de grandes proporções no Golfo Pérsico.

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