O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou nesta quarta-feira (24) que os ‘traidores da pátria’ devem um pedido de desculpas ao Brasil pelas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, em resposta ao pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para participar de audiência pública sobre o tema no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A declaração ocorre em meio a intensas negociações diplomáticas entre os governos brasileiro e americano, que têm até 15 de julho para fechar um acordo tarifário.
Nesta terça-feira (23), o gabinete do senador Flávio Bolsonaro encaminhou aos Estados Unidos um pedido para participar da audiência pública do USTR marcada para 6 de julho, que trata sobre as tarifas propostas pelo governo Donald Trump a mercadorias brasileiras. Em resposta, o Itamaraty publicou em suas redes sociais: ‘Os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira. […] O que os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros’.
Panorama político e diplomático
Desde 2 de junho, data em que o governo norte-americano divulgou a nova proposta de tarifa adicional sobre mercadorias brasileiras, representantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm intensificado as discussões com representantes norte-americanos. A estratégia do governo brasileiro tem como foco a negociação diplomática, apresentação de argumentos técnicos e pressão política, com o objetivo de convencer os americanos de que uma solução negociada seria mais vantajosa para os dois lados do que a imposição da tarifa de 25%.
O governo brasileiro participa ativamente na investigação pelos canais diretos de interlocução entre governos desde sua abertura em 15 de julho de 2025, conforme informou o Itamaraty. A pasta destacou que apresentou duas defesas escritas demonstrando que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos e realizou reunião de consultas governamentais com os EUA, em Washington, com delegação de alto nível.
Interlocutores no governo afirmam que as audiências públicas convocadas pelo USTR são um espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil, assemelhando-se a uma audiência pública do Congresso Nacional, e não um espaço de negociação entre os Estados. Existe um canal direto de negociação entre os governos brasileiro e norte-americano, e o governo trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário, data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema.
O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA, conduzindo investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e podendo recomendar medidas como a imposição de tarifas. A crise tarifária ocorre em um contexto de tensões políticas internas no Brasil, com críticas de diferentes setores à atuação de parlamentares que buscam interlocução direta com o governo americano, enquanto o Executivo federal mantém a via diplomática como principal estratégia de defesa dos interesses nacionais.
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