Jaques Wagner reafirma inocência em operação da PF sobre Banco Master e cita Lula: ‘só quem sabe o que você fez é você’

O senador Jaques Wagner (PT) voltou a se declarar inocente e classificou como mentira as suspeitas apontadas pela Polícia Federal na operação que investiga pagamentos suspeitos ligados ao Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Em declaração à imprensa nesta sexta-feira (27), o líder do governo Lula no Senado citou uma frase do presidente: ‘só quem sabe o que você fez é você’. A fala de Wagner ocorre em meio à nova fase da investigação, que mira supostas irregularidades em transações financeiras entre o banco e agentes públicos.

A operação da PF, deflagrada nesta semana, apura pagamentos que teriam sido feitos pelo Banco Master a políticos e assessores em troca de vantagens indevidas. Jaques Wagner é um dos alvos, mas nega qualquer envolvimento ilícito. ‘Não há nenhum fato concreto que me ligue a isso. É uma acusação infundada, baseada em delações de pessoas que buscam benefícios próprios’, afirmou o senador, que também é ex-governador da Bahia.

Panorama político e judicial

O caso ganha contornos políticos sensíveis por envolver o líder do governo no Senado em um momento de tensão entre os Poderes. A operação da PF ocorre em meio a críticas de integrantes do Executivo e do Legislativo à atuação do Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF), em investigações que miram aliados do governo. Jaques Wagner é um dos principais articuladores da base governista no Congresso e sua eventual condenação ou afastamento poderia enfraquecer a coalizão liderada por Lula.

O Banco Master, por sua vez, é um dos maiores bancos médios do país e tem histórico de relações próximas com políticos de diferentes partidos. A investigação da PF, que já teve outras fases, apura se a instituição financeira utilizou contas de fachada e operações de câmbio para ocultar pagamentos a agentes públicos. Daniel Vorcaro, controlador do banco, também nega irregularidades e afirma que todas as transações foram legais.

A defesa de Jaques Wagner já ingressou com pedidos de esclarecimento junto à PF e ao STF, alegando que as suspeitas são baseadas em ‘ilações e suposições’. O senador, que já foi ministro da Defesa e da Casa Civil no governo Dilma Rousseff, tem usado sua experiência política para tentar minimizar o impacto do caso. ‘Não vou me deixar abater por isso. Tenho a consciência tranquila e sei que a verdade vai prevalecer’, disse.

Enquanto isso, a oposição já começa a explorar o caso para criticar o governo. Deputados do PL e do União Brasil pedem a abertura de uma CPI para investigar as relações entre o Banco Master e o Executivo. O governo, por sua vez, tenta blindar Jaques Wagner e evitar que o caso se transforme em uma crise política de maiores proporções.

O desfecho da operação da PF e a eventual responsabilização dos envolvidos devem marcar o cenário político nos próximos meses, especialmente em um ano eleitoral. A defesa de Jaques Wagner aposta na ausência de provas concretas para reverter as suspeitas, enquanto a PF segue com as investigações. O caso, que envolve cifras milionárias e nomes de peso da política nacional, promete render novos capítulos.

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