Julgamento do Caso Henry Borel chega ao sétimo dia com depoimentos de defesa e acusação

O julgamento da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entrou no sétimo dia neste domingo (31), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. No banco dos réus estão o ex-vereador Jairo Souza Santos, conhecido como Dr. Jairinho, e a professora Monique Medeiros, respectivamente padrasto e mãe da vítima. A sessão, presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro, começou a ouvir as testemunhas de defesa no sábado (30) e deve se estender por toda a semana. O caso, que chocou o país, envolve acusações de tortura e homicídio qualificado, com a tese de acidente doméstico sendo desmontada por laudos periciais que apontaram 14 lesões no corpo da criança.

No sábado (30), o júri ouviu o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e principal testemunha de defesa dela. Durante mais de 8 horas, ele respondeu a perguntas da juíza, das defesas e da acusação, representada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ). Bryan fez uma descrição afetuosa da irmã, oito anos mais velha, e do convívio familiar, destacando que Monique era uma mãe zelosa, que sempre trabalhou e esteve ao lado do ex-marido Leniel Borel, pai de Henry, “nos altos e baixos” da vida. Ele também falou sobre o relacionamento da irmã com Jairo, afirmando que os dois se conheceram pela internet, que o homem era gentil e que nenhum familiar desconfiou de que ele poderia ser autor de agressões que levaram o pequeno à morte, conforme a denúncia.

Bryan também relatou que o padrasto de Henry, após a divulgação dos laudos relacionando as lesões no menino a agressões, tentou persuadir Monique a mentir sobre os fatos que antecederam a morte do garoto. Uma prima, segundo ele, alertou para a possibilidade de Monique estar sendo manipulada, o que fez a família buscar uma de suas irmãs para aconselhamento. O depoimento do irmão de Monique contrasta com as acusações do MP-RJ, que apontam a professora como cúmplice no crime, acusada de tortura e participação no homicídio.

Panorama político e jurídico do caso

O caso Henry Borel ganhou repercussão nacional não apenas pela brutalidade do crime, mas também pelo envolvimento de um político, o ex-vereador Jairo Souza Santos, que utilizou seu cargo para supostamente coagir testemunhas e obstruir investigações. A tramitação do processo tem sido marcada por debates sobre prazos processuais e soberania judicial, especialmente após o Supremo Tribunal Federal (STF) restabelecer a prisão de Monique Medeiros, intensificando o debate sobre a aplicação da lei e a garantia de direitos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também requereu ao STF o retorno de Monique à prisão, elevando o tom do debate sobre justiça e prazos processuais.

O julgamento ocorre em meio a um contexto de crescente atenção da sociedade para casos de violência doméstica e infantil. A tese de acidente doméstico, inicialmente sustentada pela defesa, foi desmontada pelo legista que apontou 14 lesões no corpo de Henry, incluindo traumatismo craniano e hemorragia interna. Testemunhas de acusação, como médicas e legistas, já prestaram depoimentos que reforçam a tese de homicídio qualificado. O caso também trouxe à tona relatos de agressões de Jairinho a outros filhos de namoradas, ampliando o escopo das investigações.

O julgamento, que deve se estender por mais dias, é acompanhado de perto pela imprensa e por organizações de direitos humanos. A expectativa é de que o veredito seja um marco na luta contra a impunidade em casos de violência contra crianças e no fortalecimento da justiça no Brasil.

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