Justiça de SP condena 14 réus por lavagem de dinheiro do PCC e plano de matar promotor com metralhadora de guerra

A Justiça de São Paulo condenou, na terça-feira (4), 14 réus por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Campinas (SP). Segundo as investigações, integrantes do grupo também planejaram matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com uma metralhadora de guerra.

O esquema usava a revendedora Dragão Motors para misturar recursos obtidos com o tráfico de drogas ao faturamento regular da empresa. O proprietário da loja, Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão. A defesa de Zambaldi informou nesta quarta-feira (5) que recebeu a decisão com “tranquilidade” e recorrerá ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os advogados Victor Godoy Martins e David Martins afirmaram que o empresário não foi condenado por crimes contra a vida e negaram que ele tenha ocultado patrimônio de origem ilícita. O g1 tenta localizar a defesa dos demais réus.

Do esquema de lavagem ao plano para matar o promotor

De acordo com o Ministério Público, a situação financeira do grupo começou a se deteriorar depois que pessoas que haviam recebido empréstimos deixaram de pagar as dívidas. O prejuízo ultrapassou R$ 30 milhões. A crise se agravou em fevereiro de 2025, quando o Gaeco deflagrou a Operação Linha Vermelha. A Dragão Motors foi um dos principais alvos das buscas.

Pressionado por credores que queriam recuperar os valores investidos e temendo represálias, Maurício Zambaldi procurou José Ricardo Ramos, o “Zé Ricardo”, e Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão” ou “Xixi”. Segundo as investigações, o grupo passou a planejar a morte do promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco, e do comandante de uma força policial.

O plano foi descoberto antes de ser colocado em prática. A investigação identificou os seguintes preparativos: uma metralhadora calibre .50, obtida por Zé Ricardo em Goiás, instalada em uma Toyota Hilux SW4 branca clonada, com o banco traseiro removido para a instalação do armamento de guerra, capaz de perfurar blindagens e atingir aeronaves; atiradores recrutados no Rio de Janeiro; monitoramento dos horários e locais frequentados pelo promotor; e o financiamento do plano seria custeado com a venda de um Porsche 911 Carrera vermelho que pertencia à frota controlada pelo grupo.

O caso expõe a complexidade das operações financeiras do PCC, que utiliza empresas de fachada para legitimar lucros do tráfico, e a ousadia de seus integrantes ao planejar ataques contra agentes do sistema de Justiça. A condenação representa um avanço no enfrentamento ao crime organizado, mas também evidencia a necessidade de contínua atuação das forças de segurança e do Ministério Público para desmantelar essas redes.

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