Justiça decreta prisão preventiva de suspeito de ceder casa para cativeiro de bebê sequestrada em Campo Grande

A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou, neste domingo (9), a prisão preventiva do homem suspeito de ter emprestado a casa usada como cativeiro da bebê Ayla Emanuelly, sequestrada em Campo Grande. A decisão foi tomada durante audiência de custódia, um dia após a prisão do suspeito, ocorrida no sábado (8), em meio à operação que localizou a criança no Paraguai.

A bebê, de apenas um mês, foi encontrada com vida na madrugada deste domingo em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil. Um casal que estava com a criança foi preso pelas autoridades locais, mas a identidade dos suspeitos não foi divulgada até o momento. Segundo as autoridades paraguaias, a bebê está bem.

Investigação aponta uso de imóvel como cativeiro

De acordo com a Polícia Civil, o homem preso teria cedido o imóvel para que o local fosse utilizado como cativeiro da vítima. Em nota enviada ao g1, a defesa do suspeito, representada pelos advogados Renan Vieira e Dendry Rios, informou que está tomando conhecimento dos detalhes do caso para comprovar que não há relação direta do cliente com os fatos atribuídos a ele.

O sequestro começou a ser desvendado a partir do relato da mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos. Ela contou que conheceu uma mulher por meio de um grupo de venda de roupas para crianças. Após conversarem, a mulher ofereceu R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela. A jovem aceitou a proposta e foi até o endereço indicado, no Bairro Universitário, na quinta-feira (6), acompanhada da irmã, de 12 anos, e de Ayla.

No local, elas foram recebidas pela mulher, que ofereceu água. A adolescente afirmou que não dormiu depois de beber, mas a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h. Ainda conforme o relato, a jovem foi ameaçada e obrigada a entregar a filha. Caso recusasse, ela e a irmã seriam “jogadas em um buraco”. A criança foi levada do imóvel e o celular da mãe também foi roubado. As duas irmãs deixaram o local por volta de 1h de sexta-feira (7).

Ação integrada entre Brasil e Paraguai

A Polícia Civil de Ponta Porã foi acionada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) após receber informações de que a mulher que estava com Ayla teria cruzado a fronteira. O Comando Bipartite, grupo que reúne forças policiais do Brasil e do Paraguai, também foi acionado. A troca de informações ajudou a polícia antissequestro paraguaia a localizar a residência onde a bebê estava.

Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça, por meio do portal Amber Alert Brasil, emitiu um alerta sobre o desaparecimento de Ayla Emanuelly. O sistema, que mobiliza a população e as forças de segurança em casos de desaparecimento de crianças, foi fundamental para ampliar a divulgação do caso.

O caso reacende o debate sobre a segurança de crianças em situação de vulnerabilidade e a atuação de redes criminosas que exploram o tráfico de pessoas na região de fronteira. A integração entre as polícias do Brasil e do Paraguai, por meio do Comando Bipartite, mostrou-se eficaz na resolução do caso, mas também evidencia a necessidade de políticas públicas mais robustas para prevenir crimes dessa natureza.

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