A Justiça de São Paulo converteu em preventiva a prisão em flagrante do empresário chinês de 53 anos suspeito de atropelar e matar um gari na capital paulista. O crime ocorreu na última semana, e o teste do bafômetro realizado no momento da detenção apontou presença de álcool no organismo do condutor. A decisão judicial, que mantém o investigado preso, foi divulgada nesta segunda-feira (26) e reforça a gravidade do caso, que gerou comoção e reacendeu o debate sobre segurança no trânsito e responsabilização de motoristas embriagados.
O atropelamento aconteceu em uma avenida movimentada da zona sul de São Paulo, quando o gari, que não teve o nome divulgado, realizava serviços de limpeza pública. Testemunhas relataram que o veículo conduzido pelo empresário avançou sobre a faixa de pedestres, atingindo o trabalhador em cheio. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, realizou o teste do bafômetro, que indicou 0,34 mg/L de álcool por litro de ar expelido, valor acima do limite legal de 0,05 mg/L, configurando crime de trânsito.
Detalhes da decisão judicial e investigação
O juiz responsável pelo caso, da 1ª Vara do Júri e Execuções Criminais da Capital, acolheu o pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e converteu a prisão em flagrante em preventiva, sob o argumento de que o empresário representa risco à ordem pública e à instrução processual. A defesa do motorista, que não teve o nome do advogado revelado, havia solicitado a liberdade provisória, mas o magistrado entendeu que a gravidade do crime e a embriaguez ao volante justificam a manutenção da custódia. O inquérito policial, conduzido pelo 96º Distrito Policial (DP), investiga as circunstâncias do acidente, incluindo a velocidade do veículo e se o empresário teria fugido do local após o atropelamento.
O caso ganhou repercussão nacional e mobilizou entidades de defesa dos trabalhadores, como o Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco), que em nota repudiou o ocorrido e cobrou medidas mais rigorosas contra motoristas embriagados. A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito, informou que está prestando assistência à família da vítima e que reforçará a fiscalização nas áreas de atuação dos garis. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) indicam que, em 2025, foram registrados 1.234 atropelamentos na capital, dos quais 89 resultaram em mortes, um aumento de 12% em relação ao ano anterior.
Panorama político e jurídico
O episódio ocorre em um contexto de intenso debate sobre a legislação de trânsito no Brasil. Em 2024, o Congresso Nacional aprovou a Lei 14.944/2024, que endureceu as penas para homicídio culposo no trânsito quando o condutor estiver sob efeito de álcool, prevendo reclusão de 5 a 8 anos, além da suspensão da habilitação. No entanto, especialistas apontam que a aplicação da lei ainda enfrenta desafios, como a demora nos processos judiciais e a falta de estrutura para fiscalização. O caso do empresário chinês, que possui visto de permanência no Brasil e é sócio de uma empresa de importação e exportação, pode se tornar um precedente importante para a jurisprudência sobre o tema.
Em âmbito local, a Prefeitura de São Paulo, sob gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), anunciou em janeiro de 2026 a ampliação do programa “São Paulo Segura”, que prevê a instalação de 500 novos radares e a contratação de 200 agentes de trânsito. A medida, no entanto, é criticada por movimentos sociais, que defendem investimentos em transporte público e campanhas educativas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se manifestou sobre o caso, classificando o atropelamento como “um crime bárbaro” e prometendo apoio à investigação. A Polícia Civil de São Paulo, por meio da Delegacia de Homicídios da Capital, acompanha o inquérito e deve concluir o relatório nos próximos 30 dias.
O empresário chinês permanece detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, à disposição da Justiça. A defesa ainda não informou se recorrerá da decisão. O caso segue sob segredo de Justiça, mas a expectativa é de que novas audiências sejam realizadas nas próximas semanas para ouvir testemunhas e analisar provas periciais.
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