A Justiça revogou a prisão preventiva do sargento da Polícia Militar Ivanildo Gomes dos Santos, que deixou a prisão nesta sexta-feira (3), em Belém. Ele é investigado por suspeita de envolvimento na morte da própria irmã, a cantora Ruthetty, encontrada morta em dezembro de 2025. A decisão judicial ocorre em meio a um cenário de pressão por transparência em casos de feminicídio e violência doméstica no Pará, onde a taxa de homicídios de mulheres segue acima da média nacional.
Ivanildo estava preso há cerca de 30 dias no Batalhão Especial Penitenciário (BEP). A informação sobre a soltura foi confirmada pela defesa. “Confirmo que ele está solto, está em casa, descansando com a família. Foi solto por um pedido de revogação de prisão preventiva que foi feito no juízo de primeiro grau”, afirmou o advogado Philippe Aguiar. Segundo o advogado, o pedido de revogação foi protocolado no dia 10 de junho, após a realização de uma acareação entre os investigados no caso. “Não haviam indícios, provas de autoria que ligassem o Ivanildo ao caso”, disse Philippe Aguiar.
Investigação segue sob sigilo
A morte da cantora Rute Gomes dos Santos, conhecida como Ruthetty, ocorreu no dia 3 de dezembro de 2025, no bairro da Marambaia, em Belém. As circunstâncias do crime seguem sob investigação da Delegacia de Enfrentamento ao Feminicídio e Outras Mortes Violentas em Função de Gênero (Defem), que conduz o caso sob sigilo. A opacidade do processo levanta questionamentos sobre a efetividade das investigações em crimes de gênero, especialmente quando envolvem agentes de segurança pública.
No dia 30 de abril deste ano, a Polícia Civil prendeu em flagrante, por tráfico de drogas, o principal suspeito de matar a cantora paraense. O homem foi encontrado no distrito de Mosqueiro, em Belém. Os policiais abordaram o suspeito no momento em que ele desembarcava de uma van. Durante a revista pessoal, os agentes encontraram na mochila do homem uma grande quantidade de substâncias análogas a cocaína e oxi, além de dinheiro. Após a prisão em flagrante, pesquisas nos bancos de dados revelaram que o homem já era alvo de um disque denúncia pelo assassinato de Ruthetty.
A cantora era reconhecida como um dos grandes nomes da música romântica do Pará. Ruthetty imortalizou sucessos como “Viver de Ilusão” e “Amor da Minha Vida, Eterno Amor”, que marcaram gerações e se fixaram na memória afetiva do público. O caso ganhou repercussão nacional, expondo as fragilidades do sistema de justiça no combate ao feminicídio e a violência doméstica, que no Brasil registrou mais de 1.400 mortes em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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