Um novo livro lançado em abril de 2026 expõe os bastidores do projeto que denunciou torturas durante a ditadura militar, revelando o papel central da advogada Eny Raimundo Moreira e do jurista Sobral Pinto na luta pela anistia e pelos direitos humanos no Brasil.
A obra, divulgada pela Folha de S.Paulo, resgata a trajetória de Eny Raimundo Moreira, que trabalhava no escritório do consagrado jurista Sobral Pinto no Rio de Janeiro. A partir de 1978, ela passou a presidir o Comitê Brasileiro pela Anistia, uma iniciativa formada por familiares de presos políticos que se tornou um dos principais canais de denúncia das violações cometidas pelo regime militar.
O papel do Comitê Brasileiro pela Anistia
O comitê, criado em um contexto de crescente mobilização social, atuou na coleta de depoimentos, na documentação de casos de tortura e na pressão por uma anistia ampla, geral e irrestrita. O livro detalha como o grupo, apesar da repressão, conseguiu articular uma rede de solidariedade que expôs internacionalmente as práticas do regime.
O trabalho de Eny Moreira e Sobral Pinto é apresentado como exemplo de resistência jurídica e política, em um período em que advogados e defensores de direitos humanos eram alvo de perseguições. A publicação também contextualiza o papel de outras figuras e organizações que contribuíram para o processo de redemocratização.
Panorama político e histórico
A obra chega em um momento de revisão crítica do passado autoritário brasileiro, em que a memória da ditadura (1964-1985) segue sendo objeto de disputa política. O lançamento reforça a importância de se preservar a história da luta por justiça, especialmente diante de tentativas de revisionismo histórico.
O livro, portanto, não apenas resgata a memória de um período sombrio, mas também evidencia a coragem de indivíduos e coletivos que enfrentaram o arbítrio estatal. A narrativa é enriquecida por documentos e relatos inéditos, que ajudam a compreender a dimensão do projeto de denúncia das torturas.
Com uma abordagem detalhada, a publicação se torna referência para estudiosos, jornalistas e cidadãos interessados em entender como a sociedade civil se organizou para enfrentar a violência institucional.
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