Lula critica Flávio Bolsonaro após reunião com Trump e classifica pedido de sanções como traição à pátria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente, nesta sexta-feira (29), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter solicitado ao governo norte-americano a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. A declaração ocorre um dia após o Departamento de Estado norte-americano oficializar a inclusão das duas maiores facções brasileiras na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados e de Organizações Terroristas Estrangeiras, medida que gerou forte reação do Palácio do Planalto e acirrou o debate político-eleitoral no país.

Lula, em tom de indignação, acusou o parlamentar de “trair a pátria” ao buscar uma intervenção estrangeira em assuntos de segurança pública nacional. “Eu tive três horas com o presidente Trump, entreguei quatro documentos a ele. O sr. Marco Rubio [Secretário de Estado dos EUA] não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado para ajudar um filho de bolsonarista que é candidato à eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou o presidente. Ele ainda ironizou: “Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles [apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro] ficavam presos lá”.

Tensões diplomáticas e eleitorais

A decisão de Washington, anunciada oficialmente pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, divide opiniões nos bastidores políticos de Brasília. Segundo o comunicado do governo Trump, o PCC e o Comando Vermelho estão entre as organizações mais violentas do continente, com ramificações internacionais que alcançam o território norte-americano por meio do narcotráfico. Aliados de Flávio Bolsonaro celebraram a medida, usando o tema como uma vitória política e munição eleitoral para criticar a atual gestão na área de segurança pública. O senador argumentou que as facções operam como “governos paralelos” e que a cooperação internacional é necessária.

Por outro lado, integrantes do governo Lula e diplomatas brasileiros expressaram, nos bastidores, o temor de que as sanções americanas gerem uma “pauta bumerangue”, prejudicando o comércio e empresas brasileiras legítimas que venham a ser indiretamente afetadas pelas investigações de lavagem de dinheiro. O Palácio do Planalto também avalia os impactos diplomáticos da medida, que ocorre em um momento de tensão entre os dois países, agravada pelo encontro de Flávio Bolsonaro com Trump na terça-feira (27/5). A situação coloca em evidência o uso de temas de segurança nacional como ferramenta eleitoral, em um cenário de pré-campanha para as eleições presidenciais de 2026.

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