O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (26) um artigo no jornal norte-americano The Washington Post com duras críticas à política tarifária do governo dos Estados Unidos contra o Brasil. No texto, Lula rebateu os argumentos que levaram à taxação, destacou que as práticas também serão prejudiciais à economia norte-americana e afirmou que “o Brasil não será derrotado com base em mentiras”. O artigo foi divulgado em português nas redes sociais do presidente.
Lula também destacou existir um caráter ideológico na decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo, segundo ele, de interferir na política brasileira e nas eleições deste ano. “Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, afirmou o presidente brasileiro no artigo.
Panorama das tarifas e impacto econômico
A nova tarifa de 12,5% imposta pelos EUA a produtos brasileiros atinge US$ 6,6 bilhões em exportações do Brasil, conforme dados oficiais. Em contrapartida, os Estados Unidos isentaram 471 produtos da nova tarifa. Lula reforçou o argumento de que, na relação comercial entre os dois países, os EUA são superavitários, ou seja, vendem mais ao Brasil do que compram. O presidente brasileiro fez menção às declarações de Marco Rubio, secretário de Estado que, no início de junho, excluiu o Brasil do rol de países amigáveis aos EUA na América Latina.
No artigo, Lula afirmou que o Brasil vai procurar outros parceiros comerciais, sinalizando uma diversificação das relações econômicas diante das barreiras impostas pelos EUA. A medida de Trump, iniciada em abril de 2025, tem gerado reações no governo brasileiro e no setor produtivo nacional.
Reações e contexto político
A publicação do artigo ocorre em meio a um cenário de tensão comercial entre Brasil e EUA, com impactos diretos sobre exportações brasileiras. A crítica de Lula também se insere no contexto eleitoral brasileiro de 2026, em que o presidente busca defender a soberania nacional e a política externa independente. A declaração de Marco Rubio, que classificou o Brasil como país não-amigo, foi vista como um agravante nas relações bilaterais.
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