O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (26) que o mundo vive um cenário de instabilidade, defendeu que o Brasil invista em defesa, e criticou o presidente norte-americano Donald Trump por ameaçar anexar regiões fora do domínio americano, como o Canal do Panamá e a Groenlândia. A declaração foi feita durante viagem a Santa Catarina, onde o presidente participou de evento de batismo da Fragata “Cunha Moreira”.
“Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa […]. Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano, ele quer tomar a Groelândia, o Canadá, que vai virar estadunidense. Vai tomar o Canal do Panamá, sabe, onde que nós estamos?”, questionou Lula, em tom de alerta. Na ocasião, o presidente ainda reforçou o discurso de soberania nacional, contrário a interferências externas no Brasil.
Contexto das ameaças de Trump
As declarações citadas por Lula sobre a Groelândia e o Canal do Panamá fazem referência a falas de Trump feitas no início de 2025, quando ele afirmou que não descartava usar a força para assumir o controle do Canal do Panamá e da Groenlândia. Nesse contexto, Lula afirmou que o Brasil precisa se preparar diante de um cenário de conflitos internacionais. “Estamos vendo o mundo vivendo a maior concentração de conflitos da história depois da Segunda Guerra, e temos que lembrar que ninguém respeita quem não se respeita”, disse. O presidente também disse que o Brasil não pretende entrar em conflitos, mas que precisa estar pronto para se defender.
Relação Brasil e Estados Unidos
Brasil e Estados Unidos vivem momentos de tensão na relação. Os dois líderes estiveram presentes na Cúpula do G7, na França, na semana passada, mas a interação entre eles foi limitada. Os dois chegaram a posar juntos para a foto oficial, sem troca de cumprimentos em frente às câmeras, em um cenário marcado por divergências comerciais e políticas. O principal ponto de atrito é a política comercial adotada pelo governo americano. Os Estados Unidos propuseram tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, medida criticada pelo governo Lula, que classificou o tratamento como inadequado. Em carta endereçada ao senador Flávio Bolsonaro nesta semana, o secretário de Estado Marco Rubio reforçou a posição americana em impor sobretaxas a produtos brasileiros.
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