Lula defende que esquerda ocupe verde e amarelo na Copa para resgatar símbolos nacionais de apropriação política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (30) que a esquerda terá que aprender a usar as cores verde e amarelo durante a Copa do Mundo para “não deixar cores do Brasil serem tomadas”. A declaração ocorreu no Rio de Janeiro, durante o lançamento da Tela Brasil, plataforma de streaming público e gratuito voltada à exibição de obras audiovisuais brasileiras. A fala foi motivada pela presença do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, que vestia um casaco amarelo da seleção brasileira. Lula então disse: “[saudar] o nosso prefeito Cavalieri, que está aqui, vestido de verde e amarelo. Você precisa colocar o verde e amarelo e colocar: não bolsonarista”. Em seguida, completou: “Essa é uma coisa que a esquerda vai ter que aprender a fazer: a gente vai ter que, nessa Copa do Mundo, andar de verde e amarelo para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”.

A declaração de Lula insere-se em um contexto de disputa simbólica pelos símbolos nacionais, que nos últimos anos foram associados ao bolsonarismo, especialmente durante as manifestações de 2022 e 2023. O presidente defendeu que o campo progressista ocupe esses signos para resgatar seu significado cívico e democrático, em vez de abandoná-los. A fala foi registrada durante o evento de lançamento da Tela Brasil, que visa ampliar o acesso a produções audiovisuais brasileiras, com foco em conteúdos públicos e gratuitos.

Panorama político e embates sobre soberania

Antes de chegar ao Rio, Lula esteve em Sergipe, onde participou do lançamento de investimentos da Petrobras no estado. Na ocasião, o petista criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, por ter solicitado ao governo americano que classificasse as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Lula classificou a atitude como de um “traidor” e defendeu a soberania nacional, afirmando que o Brasil não será “tratado como moleque”. A crítica ocorre em meio a um acirramento do debate sobre segurança pública e relações internacionais, com o governo federal emitindo nota oficial contra a articulação da família Bolsonaro e alertando para riscos ao sistema PIX em função da medida.

O episódio em Sergipe também reforça a tensão entre o Executivo e setores da oposição, que buscam internacionalizar o combate ao crime organizado. A fala de Lula no Rio, por sua vez, sinaliza uma estratégia de reapropriação de símbolos nacionais pelo campo progressista, em um ano eleitoral e com a Copa do Mundo se aproximando. A disputa narrativa sobre o significado do verde e amarelo deve se intensificar nos próximos meses, com reflexos nas campanhas políticas e na mobilização popular.

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