Maceió amplia atendimento especializado para pessoas com albinismo em iniciativa inédita no Nordeste

A Prefeitura de Maceió deu um passo significativo na promoção da saúde e inclusão ao lançar, nesta semana, um serviço de atendimento especializado para pessoas com albinismo. A iniciativa, considerada pioneira no Nordeste, oferece consultas com dermatologistas, oftalmologistas e psicólogos, além de acompanhamento nutricional e orientação sobre proteção solar. O programa, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), visa atender uma população historicamente negligenciada, que enfrenta riscos elevados de câncer de pele, problemas de visão e estigmatização social.

O atendimento será realizado no Centro de Referência em Saúde da Pessoa com Deficiência (CRPD), localizado no bairro do Farol, e contará com uma equipe multidisciplinar treinada para lidar com as especificidades do albinismo. Entre os serviços oferecidos estão exames de acuidade visual, prescrição de óculos com filtro UV, avaliação dermatológica com mapeamento de lesões, e sessões de psicoterapia para lidar com questões de autoestima e preconceito. A previsão é atender cerca de 200 pacientes nos primeiros seis meses, com possibilidade de ampliação conforme a demanda.

Panorama político e social

A ação se insere em um contexto mais amplo de políticas públicas voltadas à saúde e inclusão em Maceió. Nos últimos anos, a capital alagoana tem investido em programas como a Capacitação de ambulantes em Maceió, que impulsiona a economia e organização no São João Massayó, e o Programa Brilha Jovem, que capacita milhares de jovens em empreendedorismo. Além disso, a Teleterapia em Maceió já ultrapassou 331 mil atendimentos, consolidando-se como política pública de saúde mental. Essas iniciativas refletem uma estratégia municipal de integrar saúde, educação e desenvolvimento econômico, com foco em grupos vulneráveis.

Especialistas apontam que o atendimento especializado para pessoas com albinismo preenche uma lacuna histórica no sistema público de saúde. De acordo com a Associação Brasileira de Albinismo (ABRA), estima-se que existam cerca de 20 mil pessoas com albinismo no Brasil, mas a maioria não tem acesso a cuidados preventivos adequados. A falta de protetor solar específico, óculos com proteção UV e acompanhamento dermatológico regular contribui para altas taxas de câncer de pele e cegueira evitável nessa população.

A iniciativa também dialoga com dados recentes de segurança pública em Alagoas. Conforme levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP), 28 cidades do estado não registraram feminicídios em 2024, indicando avanços na proteção de grupos vulneráveis. Embora o albinismo não esteja diretamente relacionado à violência de gênero, a abordagem interseccional da prefeitura — que inclui saúde, educação e assistência social — reforça a importância de políticas integradas para reduzir desigualdades.

Para acessar o serviço, os interessados devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima e solicitar encaminhamento ao CRPD. A prefeitura também planeja campanhas de conscientização em escolas e comunidades, com distribuição de protetor solar e óculos de sol adaptados. A ação conta com parceria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que auxiliarão na capacitação dos profissionais e na produção de materiais educativos.

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