Malafaia rebate Janja e acusa PT de manipular declarações: ‘Demônio da mentira’

O pastor Silas Malafaia reagiu com veemência às declarações da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de distorcer suas falas, classificando a atitude como ‘demônio da mentira’. Em nota divulgada nesta quarta-feira, Malafaia negou ter chamado mulheres evangélicas de ‘insignificantes’, como sugerido por Janja em evento recente, e voltou a criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. O episódio acirra ainda mais a tensão entre o governo federal e lideranças religiosas conservadoras, que têm se posicionado contra pautas do Executivo, como a legalização do aborto e a criminalização da homofobia.

A polêmica começou quando Janja, em discurso no Palácio do Planalto, afirmou que Malafaia teria dito que ‘mulheres evangélicas são insignificantes’ para a política. O pastor, no entanto, rebateu: ‘Nunca usei essa palavra. Isso é uma mentira descarada do PT para tentar desqualificar minha atuação e a das mulheres evangélicas, que são fundamentais na sociedade brasileira’. Malafaia também lembrou que, em 2022, apoiou abertamente a candidatura de Jair Bolsonaro e que, desde então, tem sido alvo de ataques do partido governista.

Panorama político e religioso

O embate entre Malafaia e o PT reflete um cenário mais amplo de polarização no país, onde lideranças religiosas têm ganhado protagonismo em debates políticos. Dados do Datafolha de 2024 indicam que 65% dos evangélicos brasileiros se identificam como conservadores, e muitos deles veem no governo Lula uma ameaça a valores tradicionais. Por outro lado, o PT busca ampliar sua base entre eleitores religiosos, mas enfrenta resistência de pastores como Malafaia, que acusam o partido de ‘instrumentalizar a fé’ para fins eleitorais.

Em sua nota, Malafaia também criticou a gestão de Lula na economia e na segurança pública, citando a alta da inflação e o aumento da violência no campo. ‘O PT mente sobre tudo: sobre a economia, sobre a segurança e agora sobre minhas palavras. Eles são o demônio da mentira’, afirmou. O pastor ainda prometeu processar Janja por calúnia, caso ela não se retrate publicamente.

A primeira-dama, por sua vez, não respondeu diretamente às acusações, mas assessores do Palácio do Planalto afirmaram que Janja ‘mantém o que disse’ e que as declarações de Malafaia foram ‘registradas em áudio e vídeo’. A assessoria de imprensa do PT também se manifestou, classificando a reação do pastor como ‘mais uma tentativa de desviar o foco dos problemas reais do país’.

Especialistas em comunicação política apontam que o episódio pode ter impacto nas eleições municipais de 2024, especialmente em cidades com forte presença evangélica, como Rio de Janeiro e Brasília. ‘A briga entre Malafaia e Janja é um termômetro da disputa entre o governo e as igrejas. Quem sair vitorioso desse embate pode ganhar capital político para as próximas eleições’, analisa o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Enquanto isso, nas redes sociais, a hashtag #MalafaiaMente se espalhou entre apoiadores do governo, enquanto #JanjaMente ganhou força entre bolsonaristas. O caso deve continuar gerando debates acalorados nos próximos dias, com possíveis desdobramentos judiciais e políticos.

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