A pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (10) de junho de 2026 revelou que a estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de associar o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro e às novas ameaças de tarifaço dos Estados Unidos, sob o governo Donald Trump, teve impacto direto na intenção de voto. Lula lidera com 44% no cenário de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro recuou, abrindo vantagem para o petista. Integrantes do governo comemoraram os resultados e veem tendência de recuperação da popularidade do presidente, embora a reprovação (48%) ainda supere numericamente a aprovação (47%).
O levantamento da Quaest mostrou que Lula oscilou positivamente, enquanto o senador do PL recuou, especialmente entre os eleitores independentes, segmento decisivo em eleições polarizadas. Nesse grupo, Lula saltou de 29% para 37% entre maio e junho, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%, após o escândalo envolvendo Vorcaro e as ameaças de novo aumento de tarifas pelos EUA. O Palácio do Planalto também destacou o crescimento de cinco pontos percentuais na aprovação de Lula entre eleitores evangélicos, um segmento historicamente desafiador para o petista.
Panorama político e reações dos partidos
Do lado do PL, a equipe de Flávio Bolsonaro reconhece que precisa sair da pauta negativa formada nas últimas semanas. Apesar disso, o senador do PL do Rio segue em segundo lugar, com grande distância dos demais candidatos. Aliados de Flávio destacam que Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo), outros candidatos de direita, não conseguiram melhorar suas posições. No entanto, esses mesmos aliados admitem que é preciso estancar o processo de queda gradual de intenções de voto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dado que preocupou o bolsonarismo é que a direita não-bolsonarista começa a flertar com outros candidatos. Principalmente Renan Santos (MDB), que passou a ter 11% da preferência desses eleitores nos cenários de primeiro turno. Lula fica com 10% e Ronaldo Caiado tem 6%. Governistas também voltaram a repetir uma frase frequentemente utilizada pelo presidente e por aliados próximos: a de que 2026 seria “o ano da colheita”, em referência aos resultados esperados após a implementação de políticas públicas e medidas econômicas adotadas ao longo do mandato.
Na avaliação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG), a manutenção da estratégia de comunicação do governo pode ampliar ainda mais a vantagem nas pesquisas. “Se mantivermos a ofensiva mostrando o que tem sido feito de positivo nas questões sociais, econômicas e de garantia da soberania, além de manter a disputa política e ideológica, podemos consolidar essa liderança”, afirmou o parlamentar, em referência à necessidade de continuar associando Flávio Bolsonaro a escândalos e ameaças externas.
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