MDB nacional intervém no DF para conter racha entre Ibaneis e Celina e definir rumos para 2026

A Executiva Nacional do MDB definiu, nesta quinta-feira (11), um plano de ação para pacificar as disputas internas que se agravaram nas últimas semanas no diretório do partido no Distrito Federal. Na prática, a direção nacional do MDB decidiu que vai participar do processo de decisão das candidaturas e das coligações que o partido fará no DF para as eleições de outubro deste ano. A indefinição atinge, inclusive, a disputa pelo governo do DF: uma ala do partido deseja seguir na base aliada da governadora Celina Leão (PP) e apoiar a candidatura de reeleição; outra ala defende que o MDB rompa com o governo Celina Leão e lance candidatura própria ao Palácio do Buriti.

“O MDB vai seguir com as tratativas para a composição de uma aliança com a governadora Celina Leão, visando à presença do MDB na chapa para o Senado com a pré-candidatura do ex-governador Ibaneis Rocha”, diz a nota divulgada pela legenda. As tratativas de pacificação serão coordenadas pelo líder do MDB na Câmara, deputado Isnaldo Bulhões (AL) – que já comandou a reunião desta quinta. Caberá ao parlamentar organizar uma comissão com cinco integrantes das diferentes “correntes” do MDB no Distrito Federal. Esse grupo terá de chegar a um consenso sobre as alianças com os demais partidos. Os resultados serão anunciados já no período das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto.

Crise entre Celina e Ibaneis

As disputas internas no MDB do DF são reflexo de uma ruptura pública revelada em maio entre o ex-governador Ibaneis Rocha e a atual governadora Celina Leão (PP). Celina era vice de Ibaneis e se tornou governadora quando o político se desincompatibilizou do cargo para disputar o Senado. A expectativa era de que Ibaneis apoiasse Celina na reeleição – e Celina apoiasse Ibaneis na campanha para senador. Semanas depois, no entanto, Celina Leão manifestou apoio às duas candidatas do PL ao Senado pelo DF: a deputada federal Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em 2026, os eleitores votam duas vezes para o Senado e elegem dois senadores por cada unidade da Federação. Por isso, é comum que os políticos apoiem “duplas” de candidatos. A rusga não parou por aí. Nos dias seguintes, Ibaneis afirmou ter tido “muitas decepções” com os rumos que Celina deu ao governo do DF.

A decisão do partido também mantém no cargo o atual presidente do MDB-DF, o deputado distrital Wellington Luiz. Segundo a legenda, não houve pedido formal de intervenção ou destituição do político. A intervenção nacional ocorre em um contexto de acirramento das disputas internas, que colocam em risco a unidade do partido no DF às vésperas das eleições. Enquanto uma ala defende a continuidade da aliança com o PP e a reeleição de Celina Leão, outra ala, liderada por Ibaneis Rocha, defende o rompimento e a candidatura própria ao governo. A comissão de conciliação terá a missão de encontrar um meio-termo que evite uma cisão definitiva e garanta a presença do MDB na chapa majoritária, especialmente na disputa pelo Senado.

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