STF impõe prazo de 60 dias para big techs se adequarem a novas regras de responsabilidade por conteúdo ilegal

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (11) fixar prazo de 60 dias para que as big techs implementem as medidas determinadas pela Corte para ampliar a responsabilidade civil por conteúdos ilegais publicados em suas plataformas. A decisão, que abrange empresas como Google, Meta e X (antigo Twitter), foi tomada durante o julgamento de recursos protocolados pelas plataformas para esclarecer a decisão na qual o Supremo reconheceu, em junho do ano passado, a responsabilidade das plataformas pelas postagens ilegais feitas por seus usuários.

Entre as medidas que devem ser adotadas, as empresas são obrigadas a proibir o acesso dos usuários a vídeos com exploração e abuso sexual, violência física e indução a comportamentos que levem a danos à saúde física ou mental de crianças ou adolescentes. Além disso, as plataformas devem manter representante legal no país para receber intimações da Justiça, garantindo maior efetividade nas ações judiciais.

A Corte também fixou um marco temporal para aplicação das regras de responsabilização nos processos que estão em tramitação na Justiça. Pela decisão, as medidas valem a partir do dia 27 de junho de 2025, quando a ata do julgamento foi publicada. Isso significa que as big techs serão responsabilizadas por conteúdos ilegais publicados a partir dessa data, independentemente do andamento dos processos individuais.

A tese final do julgamento deverá ser aprovada em uma sessão marcada para a próxima quarta-feira (17). O texto vai balizar a resolução das ações que tratam da remoção de conteúdo nas redes e estão em tramitação em todo o país, estabelecendo um precedente importante para a regulação do ambiente digital no Brasil.

Votos e posicionamentos

O resultado do julgamento foi obtido a partir do voto do relator, ministro Dias Toffoli, que propôs o prazo de 60 dias para a implementação das medidas. O entendimento do relator foi seguido com ressalvas pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin.

O ministro Alexandre de Moraes destacou que as big techs não são neutras e transparentes, criticando a falta de clareza nos algoritmos que definem a moderação de conteúdo. A decisão reflete um movimento mais amplo do STF em direção a uma regulação mais rigorosa das plataformas digitais, em meio a debates sobre liberdade de expressão, desinformação e proteção de direitos fundamentais.

O panorama político geral indica que a decisão do STF ocorre em um contexto de crescente pressão internacional para que as big techs assumam maior responsabilidade por conteúdos ilegais, especialmente em relação à proteção de crianças e adolescentes. No Brasil, a medida também se alinha a discussões no Congresso Nacional sobre o Projeto de Lei 2630/2020, que visa combater a desinformação e regular a atuação das plataformas digitais. A decisão do STF, portanto, não apenas estabelece regras imediatas, mas também sinaliza uma tendência de maior intervenção judicial e legislativa no setor.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *