O que antes era apenas uma expressão das redes sociais virou competição de verdade: o campeonato de ‘farmar aura’ reuniu uma multidão em Cametá, no interior do Pará, e transformou o meme da internet em um evento presencial que premiou o participante com maior carisma, estilo e presença diante do público e dos jurados. Realizado no último fim de semana, o torneio inédito atraiu centenas de espectadores e dezenas de competidores, todos em busca do título de maior ‘aura’ da cidade.
A competição, organizada por influenciadores locais e apoiada por comerciantes da região, consistiu em uma série de desafios que testavam a capacidade dos participantes de ‘farmar aura’ — gíria que, no universo digital, significa acumular carisma, confiança e estilo de forma quase magnética. Os jurados, formados por youtubers, artistas e comunicadores paraenses, avaliaram critérios como postura, originalidade, interação com o público e capacidade de improviso.
O grande vencedor foi Lucas ‘Aurão’ Silva, de 22 anos, estudante universitário que já acumulava seguidores nas redes por seus vídeos de dança e humor. Ele levou para casa um prêmio em dinheiro no valor de R$ 5 mil, além de um troféu personalizado e um contrato de divulgação com uma marca local de roupas. ‘Nunca imaginei que farmar aura viraria profissão. É uma loucura boa, mas também uma responsabilidade’, disse o jovem após a premiação.
O evento também contou com apresentações musicais, barracas de comida típica e uma feira de artesanato, movimentando a economia local. Segundo a organização, o campeonato gerou cerca de R$ 50 mil em circulação na cidade, entre gastos dos participantes, patrocínios e venda de ingressos. ‘A gente viu que o meme tinha potencial para virar algo maior. O público abraçou a ideia e mostrou que a cultura digital pode gerar renda e entretenimento de verdade’, afirmou Carlos Mendes, um dos organizadores.
O fenômeno do ‘farmar aura’ reflete uma tendência mais ampla de transformação de expressões da internet em eventos presenciais, algo que já ocorre com outros memes e bordões em diferentes regiões do Brasil. Especialistas em cultura digital apontam que a iniciativa em Cametá é um exemplo de como as comunidades locais estão se apropriando de linguagens globais para criar novas formas de lazer e economia criativa. ‘O meme deixa de ser apenas uma piada online e ganha materialidade, gerando identificação e pertencimento’, avalia a socióloga Ana Beatriz Costa, da Universidade Federal do Pará.
Com o sucesso da primeira edição, os organizadores já anunciam que o campeonato deve se tornar anual e pode ganhar versões em outras cidades do estado. ‘Recebemos contatos de Belém, Santarém e até de Manaus querendo saber como fazer. A ideia é criar um circuito paraense de farmar aura’, revelou Mendes. Enquanto isso, os participantes já treinam novos passos e bordões para a próxima disputa, mantendo viva a chama de um meme que, ao menos em Cametá, virou coisa séria.
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