Ministério do Trabalho autua banco Digimais, de Edir Macedo, por violações trabalhistas em meio a investigação da PF

O Ministério do Trabalho autuou o banco Digimais, de propriedade do bispo Edir Macedo, por múltiplas violações a direitos trabalhistas dos seus funcionários, conforme apuração da fiscalização do órgão. A autuação ocorre em meio a uma operação da Polícia Federal que investiga a instituição por suspeita de crimes contra o sistema financeiro, ampliando o escopo de irregularidades que cercam o conglomerado financeiro ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

A fiscalização do Ministério do Trabalho identificou uma série de descumprimentos à legislação trabalhista, incluindo atrasos no pagamento de salários, ausência de registro de empregados, jornadas exaustivas sem compensação adequada e falta de recolhimento de encargos sociais. As infrações foram constatadas após denúncias anônimas e inspeções realizadas em unidades do banco em diferentes estados. O órgão não divulgou o valor total das multas aplicadas, mas confirmou que os autos de infração foram lavrados e que a empresa terá prazo para apresentar defesa.

O banco Digimais já era alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada em junho de 2026, que investiga um suposto esquema de crimes contra o sistema financeiro, similar ao que teria ocorrido com o Banco Master, conforme descrito pela PF em documentos oficiais. A operação, que incluiu buscas e apreensões, apura movimentações suspeitas e possíveis fraudes que teriam lesado clientes e o sistema bancário. A coincidência das autuações trabalhistas com a investigação criminal reforça o cenário de múltiplas frentes de apuração contra a instituição.

Panorama político e econômico

O caso do Digimais insere-se em um contexto mais amplo de escrutínio sobre instituições financeiras ligadas a lideranças religiosas e políticas no Brasil. Nos últimos anos, o Ministério do Trabalho, sob diferentes gestões, tem intensificado a fiscalização de grandes conglomerados, especialmente aqueles com histórico de denúncias de precarização das relações de trabalho. A atuação conjunta de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério do Trabalho indica uma coordenação entre as esferas de investigação criminal e trabalhista, o que pode resultar em sanções mais severas e até mesmo na suspensão de atividades da empresa.

Além disso, a exposição pública do banco Digimais, que opera com forte apelo junto a fiéis da Igreja Universal, levanta questionamentos sobre a transparência e a governança de instituições que misturam interesses religiosos e financeiros. A autuação trabalhista, somada à investigação da PF, pode abalar a confiança dos correntistas e investidores, gerando impactos no mercado financeiro e na reputação do grupo. O Ministério do Trabalho afirmou que continuará monitorando a situação e que novas autuações podem ser aplicadas caso as irregularidades persistam.

A defesa do banco Digimais, procurada pela reportagem, não se manifestou até o fechamento desta edição. A Polícia Federal, por sua vez, mantém sigilo sobre as investigações em andamento, mas confirmou que o caso está em fase de análise de documentos e depoimentos. O Ministério do Trabalho reforçou que a autuação é independente da esfera criminal e que as multas serão cobradas administrativamente, podendo ser inscritas em dívida ativa caso não haja pagamento ou recurso.

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