Moradores de Laranjeiras realizaram uma manifestação neste sábado (4) para cobrar da Prefeitura do Rio uma nova destinação para o terreno do antigo Colégio da Providência, fechado desde 2011. O ato ocorre após o prefeito Eduardo Cavaliere vetar, em 2023, um projeto de construção de empreendimento imobiliário no local, que fica dentro da Área de Proteção Ambiental São José. Os manifestantes defendem que o prédio seja reformado e utilizado para fins educacionais, reforçando a necessidade de educação pública de qualidade na região.
A mobilização, organizada por associações de moradores, reuniu dezenas de pessoas na Rua Pereira da Silva, onde está localizado o imóvel. Leonel Kaz, integrante da Associação de Moradores de Laranjeiras, destacou a oportunidade histórica: “É uma escola que tem 90 anos, tudo montado, para dar um destino educacional. O Rio precisa de educação pública de qualidade”. Já Marcus Seixas, presidente da mesma associação, ressaltou o valor simbólico e ambiental: “É um patrimônio que une o sentimento do morador com a necessidade de manutenção da história e a não destruição do verde”.
Impactos ambientais e entraves urbanísticos
O terreno do Colégio Providência está inserido na Área de Proteção Ambiental São José, o que, segundo os moradores, inviabilizaria qualquer empreendimento imobiliário sem graves consequências ecológicas. A preocupação com a preservação da vegetação nativa e a manutenção do equilíbrio ambiental da região foi um dos principais argumentos contra o projeto vetado. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento informou que não há licenciamento urbanístico concedido para o imóvel e que nenhum estudo de impacto ambiental está em andamento. A pasta acrescentou que, em 2023, houve uma consulta na qual foram instruídas todas as exigências para qualquer tipo de pedido de licenciamento, mas que, desde então, nenhum novo projeto ou solicitação foi apresentado.
Panorama político e contexto urbano
A situação do Colégio Providência reflete um embate recorrente em áreas centrais do Rio de Janeiro, onde a pressão imobiliária colide com demandas por preservação histórica e ambiental. O veto do prefeito Eduardo Cavaliere ao projeto de 2023 sinaliza uma postura de contenção a empreendimentos em zonas de proteção, mas a ausência de um plano alternativo para o terreno mantém a incerteza. Enquanto isso, associações de moradores e movimentos sociais cobram do Executivo municipal uma solução que atenda às necessidades educacionais da população, especialmente em um bairro de classe média que carece de equipamentos públicos de ensino. A manifestação deste sábado reforça a pressão sobre a Prefeitura para que transforme o imóvel ocioso em um espaço de utilidade coletiva, alinhado às diretrizes de desenvolvimento sustentável e inclusão social.
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