Ronaldo Salgado e Lorenzo Salgado, filhos do motorista mexicano Lorenzo Salgado Araujo, morto a tiros por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) na semana passada, ainda tentam digerir a perda e afirmaram, em entrevista à TV americana CBS, que o choque ainda não passou. O caso ocorre em meio a uma escalada de operações migratórias sob o governo de Donald Trump, que desde janeiro de 2025 intensificou a caça e prisão de imigrantes em situação irregular, com detenções recordes de 10 mil pessoas em apenas cinco dias no fim de junho, segundo levantamento da Associated Press e do The New York Times.
Ronaldo, o filho mais velho, disse que carrega um sentimento de culpa por não ter chegado ao local antes do confronto. “Eu não sabia o que fazer. Ninguém nunca está preparado para algo assim. Senti raiva, é claro: meu pai foi tirado de mim”, afirmou. “Eu me sinto muito culpado por não estar lá. Eu poderia salvá-lo, ou, pelo menos, vê-lo por uma última vez”, disse, em lágrimas. Já Lorenzo afirmou que ainda não sabe se conseguirá aceitar a morte do pai. O mexicano vivia nos Estados Unidos havia 35 anos.
Versões conflitantes e contexto de violência
O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que Lorenzo estava em situação irregular nos Estados Unidos. O órgão admitiu, porém, que a operação tinha como alvo outra pessoa e que os agentes encontraram o mexicano durante a ação. Já o ICE alega que ele tentou fugir durante uma operação de fiscalização em uma abordagem em Houston, no Texas, em 7 de julho. De acordo com a polícia migratória, o agente disparou após Salgado usar a van que dirigia para tentar atropelar os policiais. A família contesta essa versão e diz que ele nunca ofereceria risco aos agentes nem a ninguém.
O caso não é isolado. Na última segunda-feira (13), um cidadão colombiano também foi baleado e morto por um agente de imigração em Biddeford, uma pequena cidade no sul do Maine, mesmo estando com a situação migratória em dia. As duas mortes levantam questionamentos sobre os procedimentos do ICE e a escalada de violência nas operações, que já geraram protestos de americanos contra o ICE após a morte do colombiano.
Panorama político e impacto social
Desde o início de seu novo governo, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump colocou em prática ações de caça e prisão de imigrantes que vivem nos EUA, cumprindo promessa de campanha de expulsar todos os estrangeiros em situação irregular. Ao longo dos últimos cinco dias de junho, os agentes do ICE detiveram 10 mil pessoas, de acordo com levantamento da Associated Press e do The New York Times com base em dados do DHS. Proporcionalmente, o número é o maior desde que as batidas contra imigrantes do governo Trump começaram — neste ano, a média de detenções era de 30 mil por mês. As abordagens a carros foram suspensas em algumas regiões após as mortes, mas a política migratória segue gerando controvérsia e comoção internacional.
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