MP do piso mínimo do frete rodoviário pode perder validade sem votação no Senado; categoria e setor produtivo divergem

A poucos dias de perder a validade, a medida provisória (MP) que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário ainda aguarda votação no Senado. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados no mês passado e, se não for votada até o dia 16 de julho, perde a validade. A chamada Tabela do Frete, oficialmente Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, é uma norma que estabelece o valor mínimo a ser pago pelo serviço de transporte de cargas no Brasil. As medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas, mas precisam ser confirmadas pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perderem a validade, cabendo ao Legislativo alterar ou rejeitar o texto proposto pelo Executivo.

O esgotamento do prazo é uma das críticas dos caminhoneiros, que reclamam da demora do presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União-AP), em pautar a matéria para votação no Plenário. Na última quarta-feira (8), técnicos do gabinete do senador se reuniram com lideranças dos caminhoneiros e afirmaram que não há acordo com outros senadores para aprovação. Enquanto a categoria defende a aprovação do texto, por considerar que a proposta amplia a proteção dos trabalhadores, representantes do setor produtivo pressionam por mudanças e alertam para impactos nos custos do transporte e da cadeia logística.

O que foi aprovado na Câmara?

O texto reforça a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, criada em 2018. Pela proposta, o valor do frete deverá refletir os custos operacionais reais e o piso mínimo passará a ser de cumprimento obrigatório. Quem descumprir a regra poderá sofrer sanções. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ficará responsável por atualizar os pisos periodicamente e sempre que houver variações relevantes no preço do combustível. O relatório estabelece um escalonamento de penalidades para quem contratar frete abaixo do piso mínimo legal: multa elevada, que pode chegar a R$ 1 milhão; suspensão do registro do transportador; e cancelamento do registro em casos de reincidência grave.

O texto da MP ainda torna obrigatório registrar toda operação de transporte com um código, chamado Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot). O registro, de acordo com o texto, deve conter dados do contratante, do transportador, o valor do frete e a forma e prazo de pagamento. O objetivo é reunir informações sobre contratantes, transportadores, carga, valores e condições de pagamento, ampliando a rastreabilidade das transações no setor. O texto aprovado na Câmara ainda incluiu um “jabuti” — a inclusão de um tema estranho ao conteúdo original da proposta — que prevê anistia de multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022, no contexto da tentativa de golpe de Estado promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O impasse no Senado reflete um cenário político mais amplo, em que o governo Luiz Inácio Lula da Silva busca equilibrar demandas de categorias aliadas, como os caminhoneiros, com a pressão de setores produtivos e a necessidade de manter a governabilidade. A não votação da MP pode gerar instabilidade no setor de transportes, afetando desde pequenos caminhoneiros autônomos até grandes empresas de logística, além de impactar o custo de produtos em toda a cadeia de suprimentos. A expectativa é que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, decida nos próximos dias se pauta a matéria, enquanto caminhoneiros prometem mobilizações caso a MP caduque.

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