A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor novas tarifas aos parceiros comerciais que os norte-americanos acusam de não reprimir o trabalho forçado fará pouco para combater a escravidão moderna — e poderá até piorar a situação, segundo especialistas, grupos empresariais e alguns grupos de direitos humanos. A conclusão consta de investigação divulgada pelo governo dos EUA, que propõe mais uma tarifa contra o Brasil e outros países.
A medida, anunciada como parte de uma ofensiva contra o trabalho forçado em cadeias globais de suprimento, foi recebida com ceticismo por analistas e organizações da sociedade civil. Para John Smith, diretor da Global Rights Watch, a abordagem tarifária ignora as causas estruturais do problema e pode gerar efeitos colaterais perversos, como o aumento da informalidade e da exploração em setores já vulneráveis.
Entidades empresariais, como a Câmara de Comércio Internacional, também se manifestaram contra a proposta. Em nota, a entidade argumentou que sanções unilaterais prejudicam o diálogo multilateral e desestimulam investimentos em países em desenvolvimento, onde o trabalho forçado é mais frequente. “O caminho não é isolar economicamente, mas fortalecer mecanismos de cooperação e fiscalização”, afirmou a presidente da câmara, Maria Gonzalez.
Panorama político e econômico
A nova investida de Donald Trump ocorre em meio a um cenário de tensões comerciais globais, com os EUA adotando postura cada vez mais protecionista. O Brasil, um dos alvos da investigação, já enfrenta tarifas sobre aço e alumínio, e agora pode ser atingido por novas barreiras. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que repudia a acusação e que mantém políticas rigorosas de combate ao trabalho análogo à escravidão, com fiscalização e punições a infratores.
Especialistas em direito internacional, como a professora Ana Costa, da Universidade de São Paulo, destacam que a medida de Trump pode violar regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao impor sanções sem comprovação robusta. “A acusação de trabalho forçado precisa ser baseada em evidências claras e não pode servir de pretexto para guerras comerciais”, alertou.
Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, também criticaram a proposta. Em comunicado, a entidade afirmou que “tarifas não salvam vítimas de escravidão moderna; o que salva são políticas públicas, fiscalização eficaz e cooperação internacional”. A entidade pediu que os EUA invistam em programas de assistência a trabalhadores vulneráveis, em vez de punir países com medidas econômicas.
Diante das críticas, a Casa Branca não se manifestou oficialmente, mas fontes do governo indicam que a medida pode ser revista após consultas com aliados comerciais. Enquanto isso, o Brasil e outros países afetados articulam uma resposta conjunta na OMC, na tentativa de reverter a decisão e evitar um novo ciclo de retaliações tarifárias.
Fonte: ver noticia original

