A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de apurar a participação de um agente público em um esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. A ação, que cumpre 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atinge alvos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, incluindo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e Augusto Ferreira Lima, sócio do Banco Master.
Segundo a PF, também estão sendo cumpridas medidas cautelares, como a proibição de contato entre os investigados e a suspensão de passaportes. A corporação detalhou, em nota oficial, que “os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro”. A operação representa mais um capítulo de um amplo escândalo financeiro que já movimentou bilhões de reais e envolve figuras de alto escalão político e empresarial.
Panorama político e financeiro do esquema
A nova fase da Operação Compliance Zero insere-se em um contexto de crescentes investigações sobre a atuação do Banco Master e suas conexões com agentes públicos. Em fases anteriores, a PF já havia desvendado complexos esquemas de lavagem e ocultação de ativos, que incluíam desde a captura de um hacker em Dubai até a movimentação de R$ 26 bilhões pelo PCC na Faria Lima. A operação atual aprofunda a crise política e financeira, ao mirar diretamente um senador da base governista e um banqueiro com influência no mercado.
O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, é um dos principais alvos da investigação. Sua assessoria foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou oficialmente. Já a defesa de Augusto Lima considerou “desnecessárias” as diligências realizadas pela PF na manhã de hoje. Em nota, os advogados afirmaram que “Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração. De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”.
O impacto do caso vai além dos indivíduos envolvidos, abalando a confiança no sistema financeiro nacional e expondo fragilidades nos mecanismos de compliance. A operação ocorre em meio a um cenário de endurecimento do combate à corrupção e à lavagem de dinheiro, com a PF atuando em conjunto com a Interpol e outras agências internacionais. A 9ª fase da Compliance Zero reforça a necessidade de transparência e responsabilização, tanto no setor público quanto no privado.
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