Nova fase de operação do Gaeco mira policiais militares do Paraná por desvio de drogas e fornecimento de armas ao tráfico

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), deflagrou nesta quinta-feira (2) uma nova fase de operação que mira policiais militares lotados em Maringá, Sarandi e Mandaguaçu, no Norte do estado. Dois cabos e dois soldados da Polícia Militar do Paraná (PM-PR) são alvo de nove mandados de busca e apreensão e quatro de afastamento das funções, cumpridos simultaneamente. Um dos agentes, de Maringá, foi afastado totalmente das funções, enquanto os outros três ficarão restritos ao trabalho administrativo, à paisana. As investigações apontam que os quatro integram um esquema criminoso que envolve a preparação de flagrantes, apreensão de drogas e desvio de parte dessas substâncias. O MP citou que um deles também fornecia armas para o narcotráfico, sem detalhar essa atuação.

A operação faz parte de um conjunto de ações do Gaeco que, em fevereiro, já havia resultado na prisão preventiva de três policiais militares — dois soldados e um cabo —, também em Maringá e Mandaguaçu. Naquela ocasião, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva, com apoio do 4º Batalhão da Polícia Militar e da Corregedoria-Geral da PM-PR. Segundo o coronel José Renato Mildemberger, a investigação teve origem em uma descoberta da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) em 2023. Os três agentes presos são suspeitos de crimes como fornecer armas para criminosos, forjar flagrantes e, um deles, de cometer assassinatos sob encomenda. O coronel Cláudio Longo, da PM, informou que esses três passam por procedimentos que apuram a permanência deles na corporação.

Esquema de desvio e forja de flagrantes

As investigações do Gaeco revelam que os policiais alvo da nova fase atuavam em um esquema estruturado: preparavam flagrantes para justificar apreensões de drogas, mas desviavam parte das substâncias apreendidas. O MP não divulgou os nomes dos quatro agentes, mas fotos divulgadas mostram cadernos com anotações e dinheiro apreendidos nos endereços alvo dos mandados. O balanço final da operação ainda não foi divulgado. No total, sete policiais militares são investigados nas duas fases da operação.

O caso ganha relevância no contexto da segurança pública paranaense, onde a atuação de grupos criminosos dentro das forças de segurança tem sido alvo de escrutínio. A operação do Gaeco ocorre em meio a um cenário de aumento de apreensões de drogas no estado, com destaque para a região de Maringá, que é rota do tráfico para o interior e para outros estados. A suspeita de que policiais desviam parte do que apreendem ou fornecem armas ao narcotráfico levanta questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de controle interno da PM-PR e sobre a necessidade de maior transparência nas ações de combate ao crime organizado.

Para mais informações sobre operações anteriores, acesse: Operação do Gaeco Prende PM Influenciador e Outros Agentes por Suspeita de Tortura em Curitiba.

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