Nova gestão da Braskem é definida e empresa corre para fechar acordo com credores ainda em junho

A gestora de investimentos IG4 elegeu nesta terça-feira (8) seus representantes no conselho e na diretoria da petroquímica Braskem, concluindo o processo de renovação do comando da companhia após a compra da fatia da Novonor (ex-Odebrecht). A nova gestão já sinaliza que pretende fechar um acordo com os credores ainda neste mês de junho, em meio a uma das maiores crises financeiras e reputacionais da história da empresa.

A definição da nova cúpula ocorre em um momento crítico para a Braskem, que enfrenta uma dívida bilionária e processos judiciais relacionados ao afundamento de bairros em Maceió (AL), onde a empresa extraía sal-gema. A IG4, que assumiu o controle acionário após longas negociações com a Novonor, agora precisa costurar um plano de reestruturação que envolve bancos nacionais e internacionais, além de debenturistas e fundos de investimento.

Panorama político e econômico

A reestruturação da Braskem ocorre em um cenário de instabilidade no setor petroquímico global, com margens pressionadas pela concorrência asiática e pela volatilidade do preço do petróleo. No Brasil, o governo federal acompanha de perto o desfecho, já que a empresa é uma das maiores do país e emprega milhares de trabalhadores diretamente. A Petrobras, que detém participação relevante na Braskem, também monitora as negociações, uma vez que a petroquímica é sua principal cliente de nafta.

Para os credores, a pressão é por um acordo que evite um pedido de recuperação judicial, o que poderia gerar perdas significativas e impactar o mercado de crédito corporativo. A nova diretoria, comandada por executivos indicados pela IG4, promete transparência e agilidade nas negociações, mas analistas alertam que o prazo de junho é apertado diante da complexidade dos passivos envolvidos.

A crise de imagem da Braskem, agravada pelos danos ambientais e sociais em Maceió, também pesa nas tratativas. O Ministério Público Federal e órgãos ambientais cobram indenizações e medidas de reparação que podem chegar a bilhões de reais. A nova gestão terá de equilibrar o atendimento a essas demandas com a necessidade de garantir a viabilidade financeira da companhia.

Com a eleição do conselho e da diretoria, a Braskem espera dar um sinal de estabilidade ao mercado e acelerar as conversas com os credores. A expectativa é que, até o fim de junho, seja anunciado um acordo preliminar que preveja alongamento de dívidas, injeção de novos recursos e compromissos de governança. O desfecho desse processo será decisivo para o futuro da petroquímica e para a confiança dos investidores no setor industrial brasileiro.

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