ONS aciona plano emergencial inédito para conter sobra de energia e evitar colapso no sistema elétrico

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que realizou, entre 10h e 14h deste domingo (7 de junho de 2026), uma ação inédita para diminuir o desequilíbrio entre oferta e demanda e evitar o risco de instabilidade por conta da sobra de energia na rede. O chamado plano de gestão de excedente atuou para reduzir 1.000 MW (megawatts) de potência, em um momento de alta atividade da micro e da mini geração distribuída — como painéis solares — e de baixa demanda por energia pela indústria e pelo comércio em função do feriado prolongado. A medida, classificada como um “sucesso” pelo ONS, foi executada em operação combinada com as distribuidoras, que reduziram a geração sob sua área de concessão, enquanto o operador implementou medidas complementares para diminuir a quantidade de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Em nota oficial, o ONS afirmou que “manteve os agentes atualizados e coordenou as ações no SIN, realizando a gestão dos recursos disponíveis de acordo com a demanda da sociedade, em comunicação direta com os agentes do setor”. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras executaram os cortes nas usinas conectadas às redes de distribuição, seguindo os parâmetros estabelecidos pelo ONS. A Abradee disse que ainda fará uma avaliação técnica da ação e informará os principais impactos e resultados do acionamento do plano emergencial.

Plano Emergencial de Gestão de Excedentes: origem e funcionamento

O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi estabelecido no ano passado (2025) após a identificação de risco de colapso no sistema elétrico provocado pelo excesso de geração de energia renovável, sobretudo em períodos de baixa demanda, como feriados e fins de semana. A medida estabelece protocolos para controlar parte dessa oferta e garantir a segurança da operação do sistema. O plano tem como foco as usinas classificadas como Tipo III, categoria que inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa. Embora não integrem a rede controlada pelo ONS, essas unidades também influenciam o equilíbrio do sistema elétrico.

Alerta de desequilíbrio em 2025 e recorde de geração solar

Em 2025, dois episódios acenderam o alerta no setor ao evidenciar o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda. Em comum, ambos ocorreram em domingos, quando o consumo de energia costuma ser menor devido à redução das atividades industriais e comerciais. Um dos casos aconteceu em 10 de agosto de 2025. Naquele dia, a geração solar respondeu por 37,6% da demanda nacional. Diante do cenário, o ONS precisou reduzir significativamente a geração de usinas hidrelétricas e termelétricas, além de determinar cortes na produção de grandes parques eólicos e solares. As regras para os cortes são definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelece os parâmetros para 12 distribuidoras atuarem em situações de emergência.

Panorama político e econômico: o desafio da transição energética

A ação do ONS ocorre em um contexto de aceleração da transição energética no Brasil, com crescimento exponencial da geração distribuída — especialmente solar — e pressão sobre a infraestrutura de transmissão e distribuição. O episódio reforça o debate sobre a necessidade de investimentos em armazenamento de energia, modernização da rede e regulação mais ágil para lidar com a intermitência das fontes renováveis. Especialistas apontam que, sem medidas estruturais, eventos como este podem se tornar mais frequentes, especialmente em feriados e fins de semana, quando a demanda industrial e comercial cai. O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, acompanha a situação e discute com a Aneel e o ONS a revisão das regras de operação para evitar novos cortes. A Abradee, por sua vez, defende a criação de um marco regulatório que incentive a flexibilidade da demanda e a integração de baterias em larga escala.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *