A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (23), nove mandados de busca e apreensão contra diretores, conselheiros e empresas ligadas ao banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da RecordTV, em ação denominada Operação Miragem. A Justiça Federal em São Paulo autorizou o bloqueio de bens de até R$ 670 milhões e a quebra de sigilo bancário e fiscal dos alvos.

A operação representa um dos maiores volumes de recursos já bloqueados em uma investigação financeira no país. O montante de R$ 670 milhões equivale, por exemplo, ao orçamento anual de cidades médias brasileiras ou a mais de 10% do patrimônio declarado do grupo empresarial ligado a Edir Macedo, segundo estimativas de mercado.

Contexto das investigações

As apurações da PF se concentram em supostas irregularidades na gestão do Digimais, que incluem suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operações financeiras não autorizadas. A quebra de sigilo bancário e fiscal permitirá que os investigadores acessem movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao banco nos últimos anos.

O Digimais, que atua como banco múltiplo com foco em crédito consignado e financiamentos, tem sua sede em São Paulo e é controlado por Edir Macedo desde sua fundação, em 2019. A instituição financeira faz parte do conglomerado de empresas da Igreja Universal, que inclui também a RecordTV, a gravadora Line Records e a construtora Unipro.

Impacto político e econômico

A operação ocorre em um momento de forte escrutínio sobre as relações entre instituições financeiras e grupos religiosos no Brasil. Nos últimos meses, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) intensificaram a fiscalização sobre bancos ligados a igrejas, após denúncias de uso de recursos de fiéis para financiar operações de alto risco.

Além disso, a ação da PF reacende o debate sobre a transparência na gestão de recursos por organizações religiosas. A Igreja Universal, que já foi alvo de investigações anteriores por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão fiscal, nega qualquer irregularidade e afirma que colaborará com as autoridades.

O bloqueio de R$ 670 milhões tem potencial para impactar diretamente as operações do Digimais, que poderá enfrentar dificuldades de liquidez se os recursos não forem liberados rapidamente. Analistas do setor financeiro apontam que a medida pode gerar desconfiança entre correntistas e investidores, afetando a reputação do banco no mercado.

Próximos passos

A PF deve analisar o material apreendido nos próximos dias, incluindo documentos, computadores e celulares. A quebra de sigilo bancário e fiscal permitirá que os investigadores cruzem dados financeiros com as movimentações suspeitas identificadas até agora.

Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira e evasão de divisas, com penas que podem chegar a 20 anos de prisão. A defesa de Edir Macedo ainda não se manifestou oficialmente sobre a operação.

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