Uma operação policial realizada em Coruripe, no litoral sul de Alagoas, resultou na descoberta de um suposto cemitério clandestino com dois corpos em uma área de manguezal, utilizada para desova de vítimas. A ação, que contou com o apoio de drones e cães farejadores, foi deflagrada por equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar, sob coordenação da Delegacia Regional de Coruripe. Os corpos foram encontrados em estágio avançado de decomposição, e a perícia técnica foi acionada para identificar as vítimas e determinar as causas das mortes. A descoberta ocorre em meio a um contexto de aumento da violência na região, que tem registrado disputas entre facções criminosas pelo controle de rotas de tráfico de drogas e armas.
A operação teve início após denúncias anônimas sobre movimentação suspeita na região do manguezal, conhecida por ser de difícil acesso e propícia para ocultação de cadáveres. As equipes utilizaram drones equipados com câmeras térmicas para sobrevoar a área, enquanto cães farejadores percorreram o solo em busca de odores característicos de corpos em decomposição. Após horas de varredura, os agentes localizaram dois corpos parcialmente enterrados, cobertos por vegetação e lama. A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento para identificar as vítimas, que podem ser moradores da região ou de cidades vizinhas, e apurar a autoria dos crimes.
Panorama de violência e impunidade
A descoberta do cemitério clandestino em Coruripe reflete um padrão preocupante de violência no interior de Alagoas, onde a falta de efetivo policial e a precariedade do sistema de justiça criminal contribuem para a impunidade. A região tem sido palco de conflitos entre grupos criminosos, que utilizam áreas remotas, como manguezais e matas fechadas, para ocultar corpos de vítimas de execuções sumárias. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas indicam que, nos últimos dois anos, o número de homicídios em Coruripe cresceu 15%, com aumento significativo de casos de desaparecimentos. A operação desta semana é vista como um esforço das autoridades para conter a escalada da violência, mas especialistas alertam que a solução passa por políticas de prevenção e fortalecimento das instituições locais.
A Polícia Civil de Alagoas, por meio da Delegacia Regional de Coruripe, confirmou que os corpos foram removidos para o Instituto Médico Legal (IML) de Maceió, onde passarão por exames de DNA e necropsia. A identificação das vítimas pode levar dias ou semanas, dependendo do estado de conservação dos corpos. Enquanto isso, as investigações seguem com oitivas de testemunhas e análise de registros de desaparecimento na região. A operação também gerou repercussão na comunidade local, que cobra respostas das autoridades sobre a segurança pública. O caso é acompanhado pelo Ministério Público de Alagoas, que pode abrir inquérito civil para apurar possíveis omissões do poder público.
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