Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem atingir 37,5% com sobretaxa adicional, revela governo

O governo brasileiro confirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem atingir até 37,5%, combinando duas frentes de taxação que ampliam a tensão comercial entre os dois países. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Economia, que detalhou o impacto das medidas anunciadas pela administração Trump. A sobretaxa adicional, que pode chegar a 25%, soma-se à tarifa base de 12,5%, elevando o custo das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

As medidas, que afetam setores como siderurgia, alumínio, autopeças e produtos agrícolas, foram justificadas pelo governo dos EUA como parte de uma política de proteção à indústria doméstica e de combate ao que chamam de ‘práticas desleais de comércio’. O governo brasileiro, por sua vez, classificou a ação como ‘unilateral e desproporcional’, e já estuda contramedidas, incluindo a elevação de tarifas sobre produtos norte-americanos como milho, soja e carne suína.

Panorama político e econômico

A escalada tarifária ocorre em um momento de fragilidade nas relações bilaterais, marcado por divergências em temas como política ambiental e comércio digital. O governo brasileiro vinha tentando ampliar o prazo de negociações para evitar o tarifaço, conforme reportado pelo portal República do Povo em artigo anterior. No entanto, a decisão dos EUA de incluir o Brasil em uma lista de 60 países sujeitos a sobretaxas adicionais sinaliza um endurecimento da postura norte-americana.

Especialistas apontam que a medida pode gerar impactos significativos na balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 30 bilhões com os EUA em 2025. Setores como o de aço e alumínio, que já enfrentam barreiras tarifárias desde 2018, serão os mais afetados. O governo brasileiro também avalia o impacto sobre as exportações de biodiesel e querosene de aviação, que recentemente tiveram isenção de tributos prorrogada até 31 de julho.

Em paralelo, a administração Trump intensificou a pressão comercial com anúncios de tarifas de até 100% sobre produtos farmacêuticos, em meio a um crescente nacionalismo econômico. A medida, que também afeta o Brasil, foi criticada por entidades do setor, que alertam para o risco de desabastecimento e aumento de preços de medicamentos no mercado interno.

O governo brasileiro já sinalizou que buscará a via diplomática para reverter as tarifas, mas não descarta recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso as negociações não avancem. A expectativa é de que o tema seja pauta central na próxima reunião do G20, prevista para setembro, onde o Brasil deve defender a criação de um mecanismo multilateral para arbitragem de disputas comerciais.

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