Operação Rastreio: Polícia Civil de Alagoas e forças de 10 estados desmantelam rede nacional de comércio ilegal de celulares

A Polícia Civil de Alagoas, em ação coordenada com forças de segurança de 10 estados, deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Rastreio, que desmantelou uma rede de comércio ilegal de celulares roubados. A operação cumpriu 41 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais, além de ordens de prisão contra suspeitos de integrar o esquema. A ação, que mobilizou centenas de policiais, representa um dos maiores esforços já realizados no país para combater a receptação e a venda de aparelhos celulares de origem ilícita, um problema que afeta diretamente a segurança pública e a economia formal.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, a investigação teve início há seis meses, após um aumento significativo nos índices de roubo de celulares no estado. Os agentes identificaram uma organização criminosa que atuava em pelo menos 10 estados brasileiros, incluindo Alagoas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Goiás e Distrito Federal. A rede era responsável por receber aparelhos roubados, desbloqueá-los e revendê-los em lojas físicas e virtuais, muitas vezes com preços abaixo do mercado, o que alimentava o ciclo de criminalidade.

Panorama político e impacto social

A operação ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança pública no Brasil, onde o roubo de celulares se tornou uma das principais queixas da população. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2024, foram registrados mais de 1,5 milhão de roubos de celulares no país, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. A ação da Polícia Civil de Alagoas e das forças estaduais demonstra uma articulação inédita entre os entes federativos, que, apesar das diferenças políticas e orçamentárias, conseguiram unir esforços para enfrentar um problema comum. O Ministério da Justiça e Segurança Pública elogiou a iniciativa e afirmou que pretende replicar o modelo em outras regiões, como parte do Programa Nacional de Enfrentamento ao Crime Organizado.

Durante as buscas, os policiais apreenderam mais de 500 celulares, além de equipamentos eletrônicos, documentos falsos e R$ 200 mil em espécie. A estimativa é que a rede movimentava cerca de R$ 5 milhões por mês, com lucros obtidos principalmente da venda de aparelhos de marcas como Apple, Samsung e Motorola. A Polícia Civil informou que os celulares apreendidos serão periciados e, posteriormente, devolvidos às vítimas, sempre que possível. A ação também contou com o apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que auxiliou na identificação de aparelhos com IMEI adulterado.

O governador de Alagoas, em nota, destacou a importância da operação para a segurança da população e afirmou que o estado continuará investindo em inteligência policial. Já o secretário de Segurança Pública de Alagoas, Flávio Saraiva, ressaltou que a operação é um exemplo de como a cooperação entre estados pode superar as limitações orçamentárias e políticas. “Estamos mostrando que, quando há vontade política e técnica, é possível enfrentar o crime organizado de forma eficaz”, declarou.

A Operação Rastreio também gerou repercussão no Congresso Nacional, onde deputados e senadores discutiram a necessidade de endurecer as penas para receptação de celulares e de criar mecanismos mais eficientes de rastreamento de aparelhos. O Projeto de Lei 4.567/2024, que prevê a obrigatoriedade de registro de IMEI na compra de celulares usados, ganhou novo impulso após a operação. A expectativa é que a proposta seja votada nas próximas semanas.

Para especialistas em segurança pública, a operação representa um avanço significativo, mas ainda há desafios a serem superados. “O combate ao comércio ilegal de celulares exige uma atuação integrada entre polícias, operadoras e órgãos reguladores. A Operação Rastreio é um passo importante, mas é preciso que haja continuidade e que as investigações alcancem também os grandes financiadores do esquema”, afirmou João Paulo de Oliveira, pesquisador do Instituto de Segurança Pública.

A Polícia Civil de Alagoas informou que as investigações continuam e que novos mandados podem ser cumpridos nos próximos dias. A operação também deve servir de base para ações semelhantes em outros estados, como parte de um esforço nacional para reduzir os índices de roubo de celulares e desarticular as redes criminosas que lucram com esse tipo de crime.

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