Operação Rateio: Polícia Civil desarticula esquema de venda coletiva de maconha gourmet e drogas sintéticas em Alagoas

A Polícia Civil de Alagoas deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Rateio, que mapeou um esquema de venda coletiva de maconha gourmet e drogas sintéticas, como LSD e ecstasy, em todo o estado. A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), apontou que o grupo criminoso utilizava aplicativos de mensagens instantâneas para organizar a compra e distribuição das substâncias, com foco em festas raves e eventos noturnos. Até o momento, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 8 mandados de prisão preventiva, resultando na apreensão de 15 kg de maconha gourmet, 2.000 comprimidos de ecstasy, 500 pontos de LSD, além de R$ 50 mil em espécie e veículos de luxo.

De acordo com o delegado Thiago Prado, titular da DRE, o esquema funcionava como um “rateio” entre os integrantes, que se cotizavam para adquirir grandes quantidades de drogas de fornecedores de outros estados, principalmente de São Paulo e Paraná. “Eles criavam grupos em aplicativos de mensagens, onde os membros depositavam valores em contas bancárias de laranjas e, após a compra, a droga era dividida proporcionalmente ao valor investido”, explicou Prado. A investigação durou seis meses e contou com interceptações telefônicas e análise de dados bancários.

Impacto social e econômico

A operação representa um duro golpe no tráfico de drogas sintéticas em Alagoas, que vinha crescendo nos últimos anos, especialmente entre jovens de classe média. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o grupo movimentava cerca de R$ 2 milhões por ano, com a venda das substâncias em festas e raves na capital e no interior. A apreensão de 15 kg de maconha gourmet, uma variedade mais potente e cara, e de drogas sintéticas como LSD e ecstasy, evidencia a diversificação do mercado ilícito no estado.

O delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, destacou que a operação é resultado de um trabalho integrado com as polícias de outros estados. “A troca de informações com as polícias de São Paulo e Paraná foi fundamental para identificar os fornecedores e desarticular a cadeia de distribuição”, afirmou. Cerqueira também ressaltou que a operação visa não apenas prender os envolvidos, mas também desmantelar a estrutura financeira do grupo, com o bloqueio de contas bancárias e apreensão de bens.

Panorama político e social

A Operação Rateio ocorre em um contexto de aumento da preocupação com o tráfico de drogas sintéticas em Alagoas, que tem sido alvo de operações frequentes da Polícia Civil. O estado, que enfrenta desafios históricos com a violência urbana, vê no combate ao tráfico de drogas uma das principais prioridades da segurança pública. A operação também reforça a importância da cooperação entre as forças policiais estaduais e federais para enfrentar o crime organizado, que cada vez mais utiliza tecnologias digitais para expandir suas atividades.

Para especialistas em segurança pública, a desarticulação de esquemas como o da Operação Rateio é crucial para reduzir a oferta de drogas e, consequentemente, os índices de violência associados ao tráfico. “O tráfico de drogas sintéticas está diretamente ligado a outros crimes, como roubos e homicídios, e a ação da polícia é essencial para quebrar esse ciclo”, afirmou o sociólogo Carlos Alberto dos Santos, da Universidade Federal de Alagoas. A operação também levanta debates sobre a necessidade de políticas públicas de prevenção e tratamento para usuários de drogas, especialmente entre os jovens.

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