A Polícia Civil de Alagoas deflagrou, nesta quarta-feira (26), a segunda fase da Operação Sunshine, que resultou na prisão de duas mulheres suspeitas de desviar aproximadamente R$ 600 mil de uma Organização Não Governamental (ONG) que recebia recursos públicos em Maceió. A ação, coordenada pela Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, investiga os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e fraude processual, em um esquema que teria desviado verbas federais e municipais destinadas a projetos sociais na capital alagoana.
As prisões ocorreram no âmbito da Operação Sunshine 2, que aprofunda as investigações iniciadas em 2024, quando a primeira fase já havia identificado irregularidades na gestão de recursos públicos por parte da ONG. Segundo o delegado Marcos Siqueira, responsável pelo caso, as suspeitas são acusadas de utilizar documentos falsos e contas bancárias paralelas para desviar os valores, que deveriam ser aplicados em programas de assistência a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. “O desvio de R$ 600 mil representa um prejuízo direto à população que mais precisa, além de configurar um grave ataque à transparência e à moralidade administrativa”, afirmou o delegado em coletiva de imprensa.
Detalhes da investigação e impacto social
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam que o esquema operava desde 2022, com a criação de notas fiscais frias e contratos fictícios com fornecedores. A ONG, que tinha convênios com as Secretarias Municipais de Assistência Social e de Educação, além de parcerias com o Governo Federal por meio do Ministério do Desenvolvimento Social, teria desviado os recursos para contas pessoais das suspeitas. A Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) acompanham o caso, que já resultou no bloqueio de bens das investigadas e na suspensão de novos repasses à organização.
O caso ganha relevância em meio ao cenário de escândalos envolvendo ONGs no Brasil, que frequentemente são alvo de investigações por desvio de verbas públicas. Em Alagoas, a Operação Sunshine é vista como um marco no combate à corrupção no terceiro setor, que movimenta bilhões de reais anualmente em parcerias com o poder público. A Assembleia Legislativa de Alagoas já anunciou a criação de uma comissão especial para fiscalizar convênios com organizações sociais, enquanto o Ministério Público Estadual estuda a abertura de inquérito civil para apurar a responsabilidade de gestores públicos que autorizaram os repasses.
As duas presas, cujos nomes não foram divulgados pela polícia, foram encaminhadas ao Presídio Feminino de Maceió e aguardam audiência de custódia. A defesa das suspeitas ainda não se manifestou publicamente. A Polícia Civil não descarta novas prisões nas próximas fases da operação, que segue em andamento para identificar outros envolvidos no esquema.
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