Operação Tróia: Detentos de PE usam ‘golpe do amor’ e ameaças de facção para extorquir moradores do DF

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Distrito Federal e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap) resultou, nesta quinta-feira (2), no cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão contra uma quadrilha que, de dentro do Presídio de Igarassu (PIG), aplicava o chamado ‘golpe do amor’ combinado com ameaças de falsos integrantes de facção criminosa. O esquema, que vitimou moradores do Distrito Federal, unia duas modalidades fraudulentas já conhecidas: a criação de perfis falsos em aplicativos de relacionamento e a extorsão mediante ameaça de execução de familiares.

De acordo com a investigação, o golpe começava com a criação de perfis falsos de mulheres em sites de relacionamento e redes sociais. Após conquistar a confiança das vítimas e obter informações pessoais, um terceiro interlocutor, de dentro do presídio, entrava em contato se passando por integrante de uma facção criminosa. O criminoso alegava que a mulher com quem a vítima conversava era casada com um dos chefes do grupo e exigia transferências bancárias para evitar a morte da vítima e de seus familiares.

O delegado Tell Marzal, responsável pela operação, detalhou o modus operandi: “O golpe consistia em criar perfis falsos na internet e em sites de relacionamento e, após conseguir o contato das vítimas, um terceiro interlocutor de dentro do presídio exigia valores passando por faccionado. Ele exigia que se fizesse transferências, ou, em caso contrário, iria executar a família da vítima”. As ligações partiam do Presídio de Igarassu, onde os investigados já cumpriam pena por outros crimes.

O esquema veio à tona após um morador do Riacho Fundo, no Distrito Federal, denunciar à polícia que passou a receber ameaças depois de conversar com uma mulher que conheceu em um aplicativo de relacionamentos. A partir daí, a Polícia Civil do DF iniciou as investigações que culminaram na Operação Tróia.

Divisão de tarefas e núcleo financeiro

Segundo o delegado Tell Marzal, o grupo era organizado e contava com uma clara divisão de tarefas. Enquanto alguns integrantes criavam os perfis falsos e mantinham contato com as vítimas para obter dados pessoais, outros, dentro do presídio, realizavam as ligações de ameaça. Após os pagamentos, o dinheiro era enviado para contas de “laranjas” e sacado por um núcleo financeiro externo ao presídio, com a participação de três mulheres investigadas por lavar os valores obtidos com os golpes.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em duas celas do Presídio de Igarassu e em três endereços nas cidades de Olinda e Paulista, no Grande Recife, e em Tracunhaém, na Zona da Mata de Pernambuco. Foram apreendidos celulares, computadores e outras mídias digitais que passarão por perícia. A Seap informou que policiais penais de Pernambuco auxiliaram na identificação de dois detentos: um deles ainda estava preso no Presídio de Igarassu, e o outro, que também esteve em cárcere na unidade, já havia recebido alvará de soltura.

A Operação Tróia expõe a sofisticação de golpes que exploram a vulnerabilidade emocional e o medo das vítimas, combinando engenharia social com ameaças de violência. O caso também levanta questionamentos sobre a segurança nos presídios, uma vez que os detentos conseguiam acesso a celulares e coordenavam as ações de dentro das celas. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e desarticular completamente o esquema criminoso.

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