Pacto Contra a Fome convoca pré-candidatos à Presidência para debate sobre segurança alimentar

O Pacto Contra a Fome, organização suprapartidária que reúne entidades de diversos setores da sociedade civil, anunciou que terá encontros a partir de junho com os pré-candidatos à Presidência da República para discutir propostas de combate à fome e à insegurança alimentar no Brasil. A iniciativa, que busca transversalidade política, ocorre em um momento em que o país registra mais de 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a organização, os encontros serão realizados ao longo do mês de junho e julho, em formato de rodadas de diálogo, com a participação de representantes de movimentos sociais, empresários, acadêmicos e lideranças religiosas. O objetivo é construir uma agenda mínima de políticas públicas que possa ser incorporada pelos candidatos independentemente de suas filiações partidárias. A coordenação do Pacto afirmou que a fome é uma questão de Estado e não de governo, e que por isso é essencial ouvir todos os postulantes ao cargo máximo do Executivo.

Panorama político e econômico

A iniciativa ocorre em um cenário de polarização política acirrada, com a disputa presidencial de 2026 já mobilizando nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a senadora Simone Tebet (MDB). A pauta da segurança alimentar ganhou destaque após a divulgação de relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que apontam o Brasil como um dos países com maior número de pessoas subnutridas nas Américas.

O Pacto Contra a Fome foi lançado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, e desde então atua como uma coalizão de mais de 100 organizações, incluindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP). A diversidade de seus integrantes reforça o caráter suprapartidário da iniciativa, que já promoveu campanhas de arrecadação de alimentos e pressionou o Congresso Nacional pela aprovação de medidas emergenciais.

Entre as propostas que serão levadas aos pré-candidatos estão a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a criação de um sistema nacional de segurança alimentar com financiamento estável, e a integração de políticas de combate à fome com ações de geração de renda e reforma agrária. A organização também defende a regulamentação do direito humano à alimentação adequada, previsto na Constituição Federal de 1988, mas ainda não plenamente implementado.

Os encontros com os pré-candidatos serão abertos à imprensa, e o Pacto divulgará, ao final do processo, um documento com as propostas acordadas e os compromissos assumidos. A expectativa é que o tema da fome se torne central no debate eleitoral, especialmente em um contexto de inflação de alimentos e de cortes orçamentários em programas sociais.

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