Pacto de um mandato só: Flávio Bolsonaro busca engajamento de Tarcísio com promessa de fim da reeleição

Em uma movimentação para consolidar alianças na corrida presidencial, a campanha de Flávio Bolsonaro procurou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com uma proposta ousada: um pacto para o fim da reeleição, que já valeria para o mandato do candidato do PL caso ele vença a eleição de outubro ao Palácio do Planalto. A informação foi divulgada pela coluna de Ana Flor, no g1, e revela uma estratégia para garantir o engajamento de um dos principais nomes da direita na campanha.

Segundo relatos de duas fontes próximas à campanha do PL e uma próxima ao governador de São Paulo, o fiador do pacto seria o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio ao Planalto. O pacote foi proposto para garantir o engajamento de Tarcísio na campanha, vista até hoje como incerta. Em conversas, Marinho tem dito que uma emenda constitucional poderia ser proposta logo depois da eleição ou que, se ele vencer a disputa à presidência do Senado, garante a aprovação na casa.

Mandato de transição e o baixo engajamento da direita

A discussão revela o baixo engajamento de nomes importantes da direita à campanha de Flávio Bolsonaro. O apoio de Tarcísio é considerado extremamente importante, pois pode agregar votos no maior colégio eleitoral do país. Além dele, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também é vista como peça-chave para ajudar com votos dos segmentos feminino e religioso. Na sexta-feira, em evento com Tarcísio, Flávio disse ao governador que aceita fazer um “mandato de transição”. “Eu pretendo entrar pra história, Tarcísio, nem que seja como presidente de transição. Porque esse Brasil precisa atravessar esse mar revolto nesse momento”, afirmou Flávio.

PEC do fim da reeleição em tramitação

A proposta de pacto surge em um momento em que o Congresso já discute o tema. Em maio de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma proposta de Emenda à Constituição que acaba com a reeleição para presidente, governadores e prefeitos e amplia os mandatos para cinco anos. O texto ainda aguarda análise no Plenário do Senado e também precisa passar pela Câmara dos Deputados para começar a valer. A movimentação de Flávio Bolsonaro, portanto, tenta capitalizar politicamente uma pauta que já está em andamento no Legislativo, usando-a como moeda de troca para fortalecer sua candidatura.

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