O Tribunal do Júri de Sorriso, a 420 km de Cuiabá, vai julgar Rairo Andrey Borges Lemos, acusado de matar o próprio filho, Davi Lucca da Silva Lemos, de 2 anos, por asfixia, em crime ocorrido em janeiro deste ano. A decisão da 1ª Vara Criminal do município, publicada na sexta-feira (7), pronunciou o réu por homicídio qualificado e posse irregular de munições. A data do julgamento ainda não foi definida.
O juiz Rafael Deprá Panichella manteve as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e a condição de Davi ter menos de 14 anos. A pronúncia é a etapa em que a Justiça analisa se há provas do crime e indícios suficientes de autoria para submeter o acusado ao júri popular.
Crime e motivação
Segundo a decisão judicial, o exame de necropsia apontou que a criança foi morta por asfixia após ser pressionada contra o corpo do pai. A motivação, conforme a Justiça, teria sido vingança contra a ex-companheira pelo término do relacionamento e pelo início de um novo romance dela. O crime ocorreu no dia 2 de janeiro, na casa de Rairo, e no dia seguinte ele confessou à polícia que matou o filho por ciúmes da ex.
Antes do crime, Rairo escreveu uma carta de despedida afirmando que mataria a criança por não aceitar o fim do relacionamento. O casal estava separado havia cerca de duas semanas. Quando a Polícia Militar chegou ao local, a criança já havia sido levada para atendimento médico, mas não resistiu.
Versões e depoimentos
Em depoimento à Justiça, a delegada Layssa Crisóstomo de Paula Leal relatou que Rairo apresentou duas versões. Inicialmente, disse que não se lembrava do momento da morte e que estava revoltado ao descobrir que a ex-companheira se relacionava com um amigo dele. Posteriormente, pediu para falar novamente e contou que havia deixado Davi com uma vizinha para encontrar a ex e tentar reatar o relacionamento, mas ela recusou. Ele então buscou o filho e voltou para casa, onde preparou uma bebida com energético e uísque e deixou a criança sobre a cama assistindo a vídeos.
Panorama e repercussão
O caso ganhou repercussão regional e nacional, evidenciando a violência doméstica e o feminicídio indireto, quando crianças são mortas como forma de punição às mães. A Justiça de Mato Grosso tem atuado com rigor em casos de violência contra a mulher e seus filhos, e a pronúncia reforça a tendência de responsabilização penal em situações de ciúmes e vingança. A sociedade civil e movimentos de proteção à infância acompanham o desfecho, que deve servir de alerta para a necessidade de políticas públicas de prevenção e acolhimento às vítimas de relacionamentos abusivos.
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